Venezuela agora com dois presidentes e mais distante de uma solução pacífica

24 de janeiro de 2019.

 

Venezuela amanhece com dois presidentes -- dois governos paralelos, sem que um reconheça a legitimidade do outro -- e o desafio de sair deste confronto institucional sem precedentes. Não há dúvidas de que Nicolás Maduro detém o poder do Estado, sustentado por seu pilar mais sólido, o alto comando das Forças Armadas. Mas o renascimento da oposição, estrategicamente unificada no presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, e fortalecida pelas principais potências do continente, embaralha novamente este xadrez político.

Maduro renunciará como exigem seus opositores? Em seu discurso no balcão do Palácio Miraflores, deixou claro que não. Anunciou a ruptura das relações políticas e diplomáticas com os EUA, que reconheceram Guaidó como presidente encarregado da Venezuela. Porém, Maduro passou ao largo dos elos comerciais.

Até segunda ordem, fica subentendido que estão preservados, uma vez que o seu rompimento, sim, seria catastrófico e acabaria por estrangular o regime. Os EUA vendem nafta à Venezuela e são o maior comprador de seu petróleo.

Neto de militares, com apenas 35 anos, Guaidó tem consciência de que a outra alternativa para expulsar Maduro do poder viria dos quartéis. Tanto que ofereceu anistia, por uma lei a ser aprovada na Assembleia Nacional, e garantias a quem, nas suas palavras, colaborar para restabelecer a ordem na Venezuela.

A via do golpe militar é conhecida no país e no continente. E tem derivações complicadas. Em 2002, um golpe fracassado deteve o presidente Hugo Chávez, mas durou apenas 47 horas.

O então presidente da Federação Venezuelana de Câmaras de Comércio, Pedro Carmona, foi nomeado presidente, reconhecido rapidamente por EUA e Espanha. A grande parte dos países latino-americanos, no entanto, condenou o movimento, e um levante pró-Chávez o reconduziu novamente ao poder.

Numa retórica repleta de teorias de conspirações, Maduro ontem traçou paralelos entre os dois movimentos. “Depois do carmonaço, temos o guaidaço”, afirmou.

Porém o juramento do presidente da Assembleia Nacional como presidente encarregado do país pode ser comparado ao do próprio Maduro, que assumiu o segundo mandato numa sala do Tribunal Superior de Justiça, cercado de magistrados nomeados por ele. No terceiro dia de protestos, com 13 mortos até agora, os venezuelanos estão diante de dois presidentes e duas realidades que, por enquanto, estão distantes de uma solução pacífica.

Fonte: G1

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