Grupo Bilderberg: o secreto clube da elite global que se encontra todos os anos em hotéis de luxo

29 de maio de 2019.

 

Na quinta-feira, uma das organizações secretas mais controversas do mundo --o Grupo Bilderberg-- vai iniciar uma reunião de quatro dias a portas fechadas em um resort de luxo em Montreux, na Suíça.

O grupo tem cerca de 130 líderes políticos de elite --e há entre os convidados figuras importantes da indústria, finanças, academia e da mídia.

Não importa quais jornais você leia, canais de TV você assista ou rede social que você use, provavelmente será impossível ler relatos sobre esse encontro, porque nenhum jornalista vai presenciar a conferência --eles são todos proibidos de entrar.

A elite global Entre os convidados americanos estão Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump, Satya Nadella, CEO da Microsoft, Eric Schmidt, ex-presidente do Google, o bilionário Peter Thiel, fundador do PayPal, e o ex-secretário de Estado Henry Kissinger.

Os participantes de outros países são tão proeminentes quanto os americanos. Mas não são apenas figuras que já estão no topo da economia e do poder. Há também gente que está subindo nessa trajetória.

Quando Bill Clinton compareceu em 1991, ainda não estava claro se ele seria indicado pelo Partido Democrata para concorrer à Presidência dos Estados Unidos no ano seguinte.

Ele acabou ganhando a indicação e as eleições, vencendo George H. W. Bush (1924-2018). Tony Blair foi ao evento em 1993. Ele só se tornaria líder do Partido Trabalhista no ano seguinte, após a morte de John Smith. Três anos depois, Blair foi eleito primeiro-ministro do Reino Unido.

Diplomacia ou conspiração?

Mas será que o Grupo Bilderberg é apenas uma chance para os membros da elite mundial falar de maneira aberta e relaxada para um grupo seleto? Ou é, como seus maiores críticos afirmam, ele é um círculo fechado que busca minar a democracia global?

Os teóricos da conspiração acusam o Grupo Bilderberg de tudo: desde criar deliberadamente crises financeiras até planejar matar 80% da população mundial.

Das cinzas da guerra

A longa e misteriosa história do Grupo Bilderberg explica em partes as acusações selvagens que ele atrai. O primeiro encontro ocorreu em 1954, com o objetivo de reforçar as relações entre os EUA e a Europa e impedir outro conflito global depois da Segunda Guerra Mundial.

Desde então, tudo o que é dito no encontro fica em segredo. E o método se repete há décadas. Nenhum jornalista é convidado, nenhum comunicado é enviado à imprensa após a conclusão das reuniões e a organização mantém apenas um site básico que parece ter sido desenvolvido nos anos 1990.

Um lugar para conversar?  

Porém, apesar de o Grupo Bilderberg parecer um clube privado para vilões a estilo da série de James Bond, comentaristas políticos e econômicos dizem que ele é muito menos sinistro do que parece.

David Aaronovitch, colunista do jornal britânico The Times, diz que o medo das pessoas em relação ao Grupo Bilderberg "é ridículo."

"É realmente um clube de jantar ocasional para os ricos e poderosos", argumenta.

Denis Healey, que foi cofundador do grupo e chanceler da Grã-Bretanha na década de 1970, disse ao jornalista Jon Ronson em seu livro Them (Eles, em tradução literal), que as pessoas ignoram os benefícios práticos do encontro.

"Bilderberg é o grupo internacional mais útil de que já participei", disse ele. "A confidencialidade permite que as pessoas falem honestamente sem medo da repercussão."

Os defensores do Grupo Bilderberg dizem que sigilo permite que as pessoas falem francamente a verdade umas às outras, sem se preocupar com o impacto político das falas ou como elas serão divulgadas pela imprensa.

Poder real

Mas esses argumentos não significam que o grupo não seja poderoso.

Os teóricos da conspiração têm um argumento razoável, diz o professor Andrew Kakabadse, coautor do livro Bilderberg People. O grupo tem um poder genuíno que supera de longe o Fórum Econômico Mundial, que se reúne em Davos, argumenta ele.

E como o encontro é secreto, é fácil entender por que as pessoas estão preocupadas com sua influência. No evento, a agenda, que reúne elites políticas tanto da direita quanto da esquerda, mistura-se a um ambiente descontraído e luxuoso.

O tema de Bilderberg é reforçar um consenso em torno do capitalismo ocidental do livre mercado e seus interesses em todo o mundo, diz Kakabadse.

"O Grupo Bilderberg propõe uma ideia de um governo mundial único? Em um sentido sim. Há um movimento muito forte para ter um governo mundial único nos moldes do capitalismo ocidental de livre mercado", afirma Kakabadse.

Medo

James McConnachie, coautor do Rough Guide to Conspiracy Theories (Guia bruto das teorias da conspiração, em tradução livre), diz que a natureza secreta de tais grupos como Bilderberg permite que os manifestantes projetem seus próprios medos neles.

Nos Estados Unidos, o receio mais extremo sobre o Grupo Bilderberg é de que ele seja uma seita oculta administrada pela União Europeia e que ameaça as liberdades americanas.

Na Europa, a visão sobre o grupo é frequentemente a de uma elite do livre mercado tentando fazer avançar uma agenda de direita para a sociedade.

Críticas de pessoas alienadas que buscam ordem em um mundo caótico podem ser verdadeiras, mas há muito mais do que isso, argumenta McConnachie.

"A outra explicação é mais perigosa. Os teóricos da conspiração podem estar certos em alguns pontos, mas exageram na forma como articulam os argumentos."

O Bilderberg combina com boa parte das teorias da conspiração sobre um grupo secreto que tenta moldar a direção do mundo, diz McConnachie.

"A única diferença é o grau de vilania", diz ele. "Eles tendem a ver esse grupo como um mal absoluto. Mas as coisas são mais sutis do que isso." Muitas histórias extremistas sobre grupos sombrios que governam o mundo têm origem antissemita e sem base verídica sobre os judeus, argumenta McConnachie.

"Ocasionalmente você tem de dar crédito aos teóricos da conspiração que levantam questões ignoradas pela imprensa tradicional.

Só recentemente a mídia passou a se importar com o Bilderberg. A mídia estaria publicando reportagens sobre o assunto se não houvesse essas teorias por aí?", questiona o autor.

Irracional

Aaronovitch discorda. Acreditar em teorias da conspiração estimula o ódio a certos grupos e obstrui uma visão racional do mundo.

"Ter uma forte crença no poder do Grupo Bilderberg significa acreditar em uma fantasia", diz ele.

"Isso sugere que existem pessoas agindo como um poder superior", afirma. "Pode ser uma forma de terapia, mas tem pessoas acreditando em uma mensagem anti-científica", diz Aaronovitch.

Fonte: BBC

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