Cientistas dos EUA temem o pior com Trump na Presidência

14 de novembro de 2016.

 

Da luta contra o aquecimento global aos orçamentos para pesquisa, a comunidade científica americana teme o pior com o futuro governo de Donald Trump, que já é visto como o presidente mais hostil com a ciência.

"Trump é o primeiro presidente contra a ciência que temos, e as consequências serão muito ruins", afirma Michael Lubell, porta-voz da American Physical Society, em sintonia com o pessimismo que vive o setor.

O próximo vice-presidente, Mike Pence, é um político ultraconservador e criacionista, que em ao menos uma entrevista disse não acreditar na teoria da evolução de Darwin, que fundamenta a biologia moderna.

"Há um medo de que a infraestrutura científica americana seja humilhada", afirma Robin Bell, geofísica na Universidade de Columbia, em Nova York, sobre os cortes que poderão ser feitos no orçamento destinado à pesquisa e a falta de contratação de talentos estrangeiros.

Neste momento, as preocupações se concentram principalmente nas questões relativas ao clima, visto que o magnata do ramo imobiliário declarou que não acredita que os humanos sejam responsáveis pelo aquecimento global. 

Para Trump, trata-se de uma farsa inventada pela China para prejudicar os Estados Unidos, e ele prometeu retirar seu país do acordo de Paris.

"Se Trump cumprir suas promessas de campanha, será difícil manter o aumento das temperaturas do planeta abaixo dos níveis perigosos", explica à AFP Michael Mann, diretor do Centro de Ciências da Terra da Universidade da Pensilvânia.

Uma década perdidaOs Estados Unidos são o segundo maior emissor de gases de efeito estufa, atrás da China.

John Abraham, professor de Engenharia Mecânica na Universidade St. Thomas, de Minnesota, considera que a vitória de Trump "custará ao menos uma década" em termos de luta contra o aquecimento global.

"Estudo o aumento das temperaturas nos oceanos e o equilíbrio térmico da Terra, e os dados saltam aos olhos", afirma em um email enviado à AFP.

O cientista estima que "a única forma de evitar os piores efeitos das mudanças climáticas é aplicar o quanto antes as medidas adotadas pelo (presidente Barack) Obama".

No início de outubro, cerca de 400 cientistas - entre eles 30 prêmios Nobel - criticaram o então candidato republicano em uma carta aberta por dizer que retiraria os Estados Unidos do acordo de Paris sobre o clima.

"Um 'Parexit' daria um sinal claro para o resto do mundo de que os Estados Unidos não se importam com os problemas do aquecimento provocado pelas ações dos humanos", escreveram. 

"As consequências de uma decisão como esta serão graves e se prolongarão", afirmou o grupo de especialistas.

Trump desinformado"Claramente, Trump não está informado sobre muitas coisas e, em relação ao clima, não há dúvida de que é grave", aponta Rush Holt, diretor-geral da Associação Americana para o Desenvolvimento da Ciência (AAAS, siglas em inglês), a maior organização científica do mundo, que publica a prestigiosa revista Science.

Em entrevista à AFP, ele observa, em particular, que Trump escolheu Myron Ebell, um cético sobre as mudanças climáticas, para integrar sua equipe de transição e, potencialmente, para dirigir a Agência de Proteção Ambiental (EPA) - instituição que Obama utilizou para impor uma redução das emissões de carbono, principalmente para as usinas elétricas e os automóveis.

Mas "não sabemos realmente o que Trump pensa sobre o aquecimento" e outros assuntos científicos, visto que suas declarações são contraditórias, ressalta Holt, que também é ex-deputado democrata na Câmara dos Representantes.

O magnata pediu, por exemplo, uma autorização para construir um muro para proteger seu campo de golfe na Irlanda dos efeitos do aquecimento global.

"Pode ser que ele veja o problema de forma diferente se lhe apresentarem as mudanças climáticas em termos de custos financeiros e não do ponto de vista da política nacional e internacional", sugere Holt. 

Até agora, o único setor científico ao que Trump manifestou claramente o seu apoio foi a exploração espacial. 

"A observação a partir do espaço e a exploração além da órbita terrestre devem ser prioridades", escreveu o magnata em resposta a uma pergunta do ScienceDebate.org.

Fonte: AFP

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