Por dia, há cinco mil novos casos de cólera no Iêmen

“...e pestes...” Mateus 24:7

23 de julho de 2017.

 

Todos os dias, são registados cinco mil novos casos de cólera no Iêmen, um cenário que está “longe de estar controlado”, revelou a Organização Mundial de Saúde (OMS). Mas o cenário pode piorar: apesar de o país ter já “o maior número registado em qualquer país num único ano desde que há registos [1949]”, o número de pessoas infectadas pode chegar aos 600 mil, alerta a organização humanitária Oxfam.

As organizações admitem que a epidemia de cólera no país em guerra civil há três anos, está fora de controlo e que a situação deverá piorar entre Julho e Setembro, com a chegada da época das chuvas (já que a infecção se propaga sobretudo através de água e alimentos contaminados).

“A época das chuvas começou agora e pode aumentar as vias de transmissão” da infecção, explicou a porta-voz da OMS, Fadela Chaib, sustentando que são precisos esforços imediatos para que o alastramento da doença possa ser travado.

Só desde o final de Abril foram quase duas mil as mortes no Iêmen provocadas pela cólera, havendo mais de 360 mil pessoas infectadas — valor que ultrapassa a maior epidemia registada anteriormente, no Haiti, em 2011, o ano a seguir ao devastador terramoto, onde se registaram 340 mil casos num ano.

Apesar da escassez de alimentos e da guerra, a informação recolhida pela OMS diz que houve “um ligeiro declínio” nos casos detectados na última quinzena em duas das zonas mais afetadas da capital, Saná, mas os dados continuam a ser analisados.  

A cólera, uma infecção intestinal aguda causada pela bactéria Vibrio cholerae, manifesta-se através de diarreias, vômitos e desidratação. As más condições sanitárias são um dos factores de risco, cenário preocupante num país em que 15 milhões de pessoas, mais de metade dos habitantes, não têm acesso a água potável e a saneamento básico.

Se a infecção for tratada rapidamente, o paciente fica livre de perigo; caso contrário, a cólera pode levar à morte em poucas horas, um dado inquietante considerando que muitos hospitais no país foram destruídos pela guerra.

“A guerra piora gravemente a capacidade de parar esta epidemia de cólera”, garantiu o porta-voz do Alto Comissariado para os Direitos Humanos das Nações Unidas, Rupert Colville, numa conferência de imprensa na sexta-feira em Genebra, na Suíça, em que também esteve a porta-voz da OMS. Colville acredita que a doença, aliada à “desintegração do sistema de saúde” resultante do conflito “é uma combinação letal”. A guerra já matou cerca de dez mil pessoas e dificulta o acesso a cuidados de saúde, alimentação e higiene, naquele que já antes era o país mais pobre da Península Arábica.

A guerra civil começou há três anos e é travada entre o Governo do Iêmen – apoiado pela coligação de países do Golfo Pérsico, liderada pela Arábia Saudita – e a rebelião xiita Houthi (acusada de ser aliada do Irão). Há bombardeamentos e ataques, o que dificulta que seja prestada a assistência necessária aos doentes.

“A cólera alastrou-se descontroladamente num país já afetado por anos de guerra e que está na iminência da escassez de alimentos”, afirmou o diretor organização não governamental Oxfam, Nigel Timmins, que esteve recentemente no país onde se estima que existam sete milhões de pessoas subnutridas. “Para muitas pessoas, enfraquecidas pela guerra e pela fome, a cólera é o golpe final”, disse num comunicado publicado no site da organização britânica.

“A cólera é fácil de tratar e simples de prevenir”, diz ainda Timmins, considerando que é urgente que os iemenitas tenham acesso a água potável e saneamento básico para ajudar a travar a epidemia. “Os profissionais de saúde não são pagos há cerca de um ano”, disse, adiantando que "hospitais, estradas e pontes foram bombardeados", o que dificulta o auxílio.

“Precisamos de ter acesso a todo o país. Precisamos de conseguir entrar e sair do país e de andar pelo país”, concorda Kjetil Ostnor, também da Oxfam, que disse à televisão Al-Jazira que é necessário que seja declarado um cessar-fogo para que a ajuda humanitária e médica possa chegar a quem precisa.  

Segundo a Oxfam, só 45% das instituições de saúde no Iêmen estão funcionais. Até Outubro de 2016, tinham sido destruídas 274 unidades de saúde, e 13 profissionais de saúde tinham sido mortos, e 31 ficado feridos.

Fonte: Público

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