Overdoses batem recorde com 72 mil mortes nos EUA

"...e pestes...” Mateus 24:7

16 de agosto de 2018.

 

As overdoses por drogas mataram 72 mil americanos ano passado, número recorde que reflete aumento de cerca de 10% em relação ao ano anterior, apontam estimativas preliminares dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês). A cifra supera os picos de mortalidade por HIV, por acidentes de carro e por armas de fogo. Para analistas, dois fatores contribuíram para a alta: o uso crescente de opioides e o aparecimento de drogas mais fatais.

Apesar de grave em todos os 50 estados americanos, a situação varia entre as regiões. Em partes da Nova Inglaterra, por exemplo, o número de overdoses começou a cair após alta provocada pela entrada de drogas mais perigosas. Em Massachusetts, Vermont e Rhode Island, estados que investiram pesado em campanhas de saúde pública e em tratamento para dependentes, as mortes também estão em queda, informa o “New York Times”.

— Por ser uma epidemia de drogas, não de uma doença infecciosa como a zika, a resposta é mais lenta — apontou Dan Ciccarone, professor da Universidade da Califórnia, em São Francisco, especialista em estudos sobre o mercado de heroína. — Por causa das forças do estigma, a população é relutante em procurar ajuda. Eu não espero uma recuperação rápida.

Levantamento realizado pelo governo americano sugere que 2,1 milhões de americanos sofriam de desordens relacionadas ao uso de opioides em 2016, mas provavelmente o número é maior, entre outros motivos, porque muitos usuários talvez não admitam o uso de drogas por causa do estigma. Para Ciccarone, o número real deve superar os 4 milhões. Para lidar com a crise, o presidente Donald Trump declarou a crise de opioides uma emergência nacional de saúde pública, liberando US$ 1 bilhão para lidar com o problema.

Brandon Marshall, professor de epidemiologia na Escola de Saúde Pública da Universidade Brown, concorda que o número de usuários de opioides está aumentando “na maioria dos lugares, mas não em taxa exponencial”, como acontece com as mortes por overdose. Por isso, o pesquisador acredita que o “fator dominante é a mudança no fornecimento de drogas”.

Nos últimos anos, poderosos opioides sintéticos, como o fentanil, passaram a ser misturados no mercado ilegal a cargas de heroína, cocaína, metanfetamina e classes de medicamentos ansiolíticos conhecidos como benzodiazepinas, como o Rivotril e o Lexotan. Diferentemente da heroína e da cocaína, que são derivadas de plantas, o fentanil pode ser produzido num laboratório e é mais fácil de ser transportado por ser mais concentrado.

Risco para usuários experientes

Segundo o especialista, combinações inesperadas entre essas drogas podem surpreender até mesmo usuários experientes. Em alguns mercados, a mistura desse sintético à heroína muda constantemente, aumentando ainda mais o risco. Enquanto a epidemia de opioides estava concentrada em populações brancas da zona rural, o aumento mais recente da mortalidade por overdoses é mais espalhada, afetando usuários que não estavam preparados para o poder das novas misturas.

— Quando a gente acha que a situação está melhorando, basta um lote ruim de fentanil em qualquer estado para o aumento das mortes — apontou Mark Levine, comissário de saúde em Vermont, que fez grandes investimentos no tratamento da dependência, mas mesmo assim registrou alta nas mortes em 2016. Ano passado houve uma ligeira queda.

Os números do CDC ainda são estimativas, não a contagem final. O instituto coleta dados de mortalidade dos estados durante todo o ano, mas algumas mortes podem levar mais tempo para serem investigadas. Por isso, os números são ajustados somando as mortes registradas com um percentual dos casos em investigação. Usando o número de mortes confirmadas, houve uma alta de 10,2% entre 2016 e 2017, percentual que cai para 9,5% usando os dados ajustados.

Mas existem motivos para o otimismo. Os dados apontam que no fim do ano passado as mortes se estabilizaram. Em praticamente todos os estados políticas emergenciais estão sendo adotadas, com reforço das campanhas de prevenção e oferta de tratamento da dependência. Alguns programas reduziram a prescrição de opioides e expandiram o acesso a uma droga para tratar overdoses, chamada Naloxona.

— Existe muito dinheiro entrando no sistema, e leva algum tempo para isso se traduzir em nova infraestrutura — notou Chris Jones, diretor do laboratório nacional de políticas em saúde mental e abuso de substâncias. — Isso é particularmente verdadeiro para lugares onde não haviam políticas do tipo.

Fonte: O Globo

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