Salvo por evangélicos ajuda a levar sírios cristãos à Europa

“Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome.” Mateus 24:9

19 de outubro de 2015.

 

Lorde Weidenfeld escapou da Áustria nazista em 1938, antes da Segunda Guerra Mundial. Judeu, tinha, então, 19 anos, e foi adotado por uma família de cristãos evangélicos em Londres. Agora, deu início a um projeto para resgatar cristãos ameaçados por fundamentalistas islâmicos no Oriente Médio.

Weidenfeld, de 96 anos, criou a operação Safe Havens (Refúgio Seguro, em tradução literal), que ajuda cristãos a se realocarem na Europa.

Muitos enfrentam o risco de se tornarem prisioneiros de grupos radicais, como a Frente Al-Nusra, ligada à Al-Qaeda, e o autodenominado Estado Islâmico (EI), que anunciou em 2014 a criação de um califado em partes da Síria e do Iraque.

Acredita-se que cristãos representavam 10% da população de 22 milhões de sírios antes do conflito, iniciado em 2011. Até 40 mil deles eram assírios.

O projeto Safe Havens tem o apoio de outros colaboradores judeus e já contribuiu com a retirada de 50 famílias sírias, que foram levadas à Polônia. A iniciativa deu-se após Weidenfeld considerar que a ajuda dada a cristãos era "insuficiente" e que deveria retribuir a ajuda que recebeu.

"Quando eu ouvi o que estava sendo feito a cristãos [na Síria] achei que a ajuda que estava dando a eles [sob o Estado Islâmico] era insuficiente. Então, pensei que eu deveria fazer alguma coisa", disse ele, em entrevista ao programa Hard Talk, da BBC. "Devido a minha experiência em ter sido ajudado por cristãos, me senti pessoalmente obrigado a ajudar os cristãos da minha maneira modesta".

Estima-se que o custo de financiar uma família de cinco pessoas por um ano na Europa seja o equivalente a R$ 121 mil.

O Estado Islâmico aplica uma versão extrema do sunismo e tem ameaçado cristãos em áreas sob seu controle. Dezenas de cristãos assírios foram sequestrados pelos militantes neste ano na Síria e acredita-se que cerca de mil famílias assírias deixaram suas casas no país.

O EI oferece a cristãos moradores de áreas sob seu controle três opções: conversão ao Islã, pagamento de uma taxa religiosa ou o risco de serem executados.

Weidenfeld disse ter sido recebido por uma família cristã-evangélica de funcionários públicos em Londres após a Áustria ser anexada pela Alemanha nazista. "Tive a sorte de sair", disse. Anos depois, em 1949, ele fundou a editora Weidenfeld and Nicolson, uma das mais conhecidas no Reino Unido.

'Obama responsável' por problemas

O conflito na Síria criou um grande fluxo de refugiados. Estima-se que mais de 4 milhões de sírios deixaram o país, e a maioria mudou-se para o Líbano e a Turquia. Mas muitos tentam chegar à Europa fazendo a perigosa travessia de barco no Mediterrâneo ou a pé, cruzando diversos países. O fluxo é o maior no continente desde a Segunda Guerra Mundial.

Weidenfeld rebate críticas feitas ao projeto de não oferecer a mesma ajuda para muçulmanos que também enfrentam risco de grupos extremistas. Segundo Weidenfeld, a situação enfrentada por cristãos é "injusta e eles não têm apoio suficiente". Já muçulmanos têm "áreas seguras próximas, estão sendo ajudados logisticamente e uma grande quantidade de dinheiro está sendo oferecida".

O lorde é ainda crítico à atuação do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no Oriente Médio. "Eu o responsabilizo pelo que está acontecendo hoje" na região, disse ele. "A liderança americana não está lá. Obama não tem talento ou conhecimento de assuntos internacionais. Ele pode ser bom para assuntos internos, mas não tem talento ou conhecimento de assuntos internacionais. Ele é inocente."

Segundo ele, a posição de Obama "enfraqueceu e alienou" alguns de seus aliados.

Os Estados Unidos lideram uma coalizão internacional que tem realizado ataques aéreos contra alvos do Estado Islâmico na Síria desde setembro de 2014. No mês passado, a Rússia iniciou ataques aéreos e de mísseis contra alvos na Síria. Moscou diz que o objetivo é atingir o EI, mas os Estados Unidos e aliados afirmam que os militantes têm pouca ou nenhuma presença nas áreas atacadas.

Fonte: BBC.

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