Milhares de membros de minoria cristã fogem do Estado Islâmico

“Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome.” Mateus 24:9

25 de fevereiro de 2015.

 

Cerca de 5 mil membros da minoria cristã assíria optaram pelo êxodo na Síria após o sequestro sem precedentes de dezenas de integrantes dessa etnia pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

No momento em que a guerra na Síria entra em seu quinto ano, a um preço de mais de 210 mil mortos, quatro parlamentares franceses se reuniram nesta quarta-feira com o presidente Bashar al-Assad em Damasco, pela primeira vez desde a ruptura das relações diplomáticas entre o regime sírio e Paris, que exige a saída de Assad.

Na província de Hassake, no nordeste da Síria, cerca de 1.000 famílias fugiram de suas casas desde segunda-feira para buscar refúgio nas cidades de Hassake e Qamishli, num total de "cerca de 5.000 pessoas", indicou à AFP Osama Edward, diretor da Rede assíria de Direitos Humanos, com sede na Suécia.

O êxodo ocorre após o sequestro pelo EI de 90 cristãos assírios em uma região da província de Hassake, na fronteira com a Turquia e o Iraque, de acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

De acordo com Edward, o número de reféns, "em sua maioria mulheres, crianças e idosos, é entre 70 e 100 pessoas".

Cerca de 30.000 assírios, uma comunidade entre as mais antigas convertidas ao cristianismo, vivia na Síria antes do início do conflito no país, em 15 de março de 2011, a maioria em Hassake.

Edward relatou que os "jihadistas invadiram as casas das vítimas por volta das 04H00 da manhã de terça-feira, quando todo mundo dormia", na região Al-Khabur, mesmo nome do rio que corta 35 localidades assírias na província de Hassake.

Casa do EI

Eles, então, tomaram, segundo ele, mais de uma dúzia de aldeias, incluindo Tall Chamiram.

"Minha esposa nasceu em Tall Chamiram, e quando ela quis telefonar para a esposa de seu tio, um homem atendeu e lhe disse 'aqui é a casa do Estado Islâmico", contou Edward.

Segundo ele, os reféns foram levados para Chaddadé, um reduto do EI na província de Hassake.

Edward, que fez um apelo por uma proteção internacional para os deslocados, afirmou que os jihadistas intimidaram os aldeões e há algumas semanas retiraram as cruzes sobre as igrejas.

De acordo com o OSDH, o EI atacou esta região para se vingar dos curdos, que lançaram uma ofensiva, apoiados pelos ataques da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, para recuperar as aldeias de Hassake.

"Eles sabem que tomar reféns cristãos causará grande comoção em nível internacional", explicou Edward.

"O EI está perdendo terreno por causa dos ataques aéreos da coalizão e eles pegaram esses reféns para fazê-los de escudos humanos", disse, considerando que os jihadistas também tentarão trocar os reféns por prisioneiros nas mãos dos curdos.

E, como objetivo final, os jihadistas querem tomar Tall Tamer, uma localidade assíria próxima de uma ponte sobre o rio e que é importante para ligar a fronteira iraquiana a partir de Aleppo (norte), afirma Edward.

Deputados franceses em Damasco

Aproveitando-se da guerra na Síria e da instabilidade no Iraque, o grupo extremista sunita foi capaz de tomar grandes porções do território dos dois países vizinhos, cometendo seguidas atrocidades, entre decapitações, limpeza étnica, sequestros e estupros, denunciadas como crimes contra a humanidade por parte da ONU.

Para Washington, "o fato de o EI atacar uma minoria religiosa demonstra mais uma vez seu tratamento brutal e desumano em relação a qualquer um que não concorda com os seus objetivos e suas crenças tóxicas".

A França também condenou "um novo ato criminoso do grupo terrorista" e apelou para a libertação imediata dos assírios raptados.

Pela primeira vez desde a ruptura, em 2012, das relações entre a Síria e a França, quatro parlamentares franceses, da esquerda e da direita, iniciaram uma missão na Síria na terça-feira.

"É uma missão pessoal para ver o que acontece, ouvir, ouvir", indicou um deles, Jacques Myard.

O porta-voz do governo francês ressaltou que esta era uma "iniciativa pessoal" e "não uma iniciativa oficial da França.".

Fonte: AFP.

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