“Às vezes me pergunto por que continuo orando”

“Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome.” Mateus 24:9

08 de setembro de 2015.

 

Kim Sang-Hwa é filha de um líder cristão norte-coreano e vive hoje na Coreia do Sul. A fronteira mais militarizada do mundo a separa de seus pais e de seus irmãos e irmãs em Cristo. Ela compartilhou como encontrou o Livro ilegal em seu país, como seu pai explicou o Evangelho abertamente para ela e como foi expulsa de sua casa na Coreia do Norte. Há menos de meio metro da mesa repleta de chá, frutas e biscoitos havia um mapa colado no chão. Uma dúzia de corações desenhados indicam os lugares onde, hoje, milhares e milhares de pessoas estão morrendo em terríveis campos de prisioneiros. Esta é sua história

Encontrando Deus 
"Em nossa casa havia um armário escondido. Quando eu tinha doze anos, acidentalmente o encontrei. Eu não sei por que, mas comecei a apalpar o armário com minha mão e achei um livro dentro dele. Eu o puxei para fora, abri e comecei a ler.

No princípio Deus criou os céus e a terra. Era a terra sem forma e vazia; trevas cobriam a face do abismo, e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. Disse Deus: "Haja luz", e houve luz. Deus viu que a luz era boa, e separou a luz das trevas. Deus chamou à luz dia, e às trevas chamou noite. Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o primeiro dia.

Comecei a tremer e deixei o livro cair. Eu estava muito assustada. Essa descoberta poderia me custar minha própria vida. Eu estava com medo de tocar a Bíblia, mas eu não podia simplesmente deixá-la ali. Fechei meus olhos, peguei o livro e o coloquei de volta. Eu pesei minhas opções. Deveria contar ao meu professor? Deveria ir até o oficial de segurança local? Durante quinze dias eu não conseguia pensar em mais nada. Eu sabia que era meu dever denunciar aquele livro ilegal. Mas era a minha família que estava envolvida. E também havia todas essas perguntas na minha cabeça: ‘Quem é esse Deus?’ Ou ‘o que é esse Deus?’.

Finalmente eu tive coragem de perguntar ao meu pai. Ele ficou muito surpreso e se sentou ao meu lado e me perguntou: ‘Você vê aquelas árvores antigas?’ Eu assenti. ‘Quem as fez?’, ele perguntou. Eu disse que não sabia e ele explicou a história da criação para mim, inclusive a forma como Deus fez Adão e Eva. Então ele se virou para mim e me fez outra pergunta: ‘Qual é o animal mais perigoso?’. Eu não sei por que, mas respondi: ‘A serpente’. ‘É isso mesmo’, ele respondeu e me contou como o pecado entrou no mundo. Essa foi a primeira de muitas conversas que tivemos sobre a Bíblia, sobre Deus, Jesus e sobre o Evangelho. Ele explicou muitas histórias bíblicas para mim. Eu ainda não era uma verdadeira cristã, mas elas fizeram muito sentido para mim. Senti pena de todas as pessoas que ainda não conheciam a Verdade. Nem mesmo os meus irmãos mais velhos não sabiam sobre isso.

Às vezes, meu pai se encontrava com pessoas em um local secreto. Muitos filhos de cristãos também iam a esse local e aprendiam sobre a Bíblia. Orávamos juntos. Entre as pessoas que visitavam as reuniões secretas havia também alguns não-cristãos, até mesmo espiões. Quando um desses visitantes estava para morrer, meu pai o visitou em seu leito de morte. Ele confessou: ‘Eu sei tudo sobre você, sua família e sua fé. Eu era um espião que foi mandado para ficar de olho em você’. ‘E?’, meu pai perguntou. ‘Você é um bom homem. Eu nunca disse a ninguém que você é um cristão. Diga-me como posso me tornar um cristão também.’ Nos momentos finais de sua vida, esse homem se arrependeu e entrou no Reino de Deus. 

Depois que me casei a vida se tornou tão difícil na Coreia do Norte que tive que fugir de lá. Mas meus sonhos e esperanças não mudaram. Há muito mais liberdade aqui no Sul. Eu gostaria de poder voltar à Coreia do Norte e compartilhar o Evangelho com as pessoas de lá e ter comunhão com os cristãos locais. Eu amo a fé que eles têm. Eu estaria pronta para morrer pelo Evangelho. Eu acho que se não tivesse uma família aqui na Coreia do Sul, eu já teria retornado para ajudar as pessoas necessitadas.

Meu pai sempre me disse para buscar o Reino de Deus em primeiro lugar. Essa sempre será sua oração por seu país e por todos os cristãos. É por isso que eu oro pela manhã quando me ajoelho no mapa no chão e oro pelos irmãos e irmãs na Coreia do Norte. Mas, às vezes, eu me desanimo. Sinto o mesmo que muitos cristãos ao redor do mundo. Parece que nada está mudando na Coreia do Norte. A situação só piora. Quando oro, geralmente pergunto a Deus: ‘Qual é o sentido? Por que você quer que eu continue orando pela Coreia do Norte?’ Mas então Deus me lembra: ‘Você conhece a Coreia do Norte melhor do que ninguém. Você conhece as pessoas e seus sofrimentos. Se você não orar, quem irá? Conte comigo. Acredite em mim’."

Fonte: Portas Abertas.

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