Cristão palestino fala sobre perdão em meio a perdas

"Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome.” Mateus 24:9

03 de abril de 2018.

George Saadeh é diretor de uma escola de ensino médio em Belém, que pertence a uma igreja cristã, mas que recebe crianças cristãs e muçulmanas. Os cristãos são uma minoria de menos de 2% entre os palestinos. O diretor explica que por causa da ocupação da Cisjordânia pelo exército de Israel a vida é muito difícil lá, levando muitas famílias cristãs a emigrar. “Os cristãos estão no meio da briga entre os grandes poderes”, diz, acrescentando que nos últimos três anos, 30 famílias palestinas cristãs foram embora de Belém para nunca mais voltar.

Por isso, Saadeh está preocupado com o futuro do cristianismo onde mora. “Se nós, cristãos da Palestina, queremos viver aqui, temos que trabalhar com mútuo respeito. Se respondemos como fanáticos, o outro lado ficará mais fanático ainda, o que só piora os problemas”, reflete. Na escola, as crianças recebem ensino religioso separadamente – um imã ensina os alunos muçulmanos e um líder religioso, os cristãos. Mas a identidade cristã está presente em todo o programa da escola, onde a vida de Jesus Cristo é o princípio norteador.

O diretor explica como isso é feito na prática: “Nós tentamos tornar a espiritualidade cristã parte integral do nosso programa de ensino. Eu estou falando sobre: Como você se comporta? O que define sua relação com os outros? Trate todos com amor. Seja honesto. Jogue limpo nos esportes. Respeite aqueles que pensam diferente de você”.

“Jesus é mais forte do que o ódio e a injustiça”

Saadeh estudou engenharia espacial nos Estados Unidos, então teve a oportunidade de migrar para lá, onde teria tido muito mais oportunidades. “Uma vida sem postos de controle e sem cheiro de gás lacrimogêneo – sim, isso teria sido melhor para mim e minha família. Mas eu fiquei porque este é o meu país, e eu quero manter a esperança e a fé vivas aqui”, afirma.

A fé de Saadeh foi severamente testada em 2003 durante a rebelião palestina chamada Segunda Intifada quando, por engano, soldados israelenses abriram fogo contra seu carro. Sua filha de 12 anos, Christine, morreu imediatamente, e Saadeh, a esposa e outra filha ficaram feridos. Por causa dos ferimentos, ele não pôde ir ao funeral de Christine. Ele relembra esse período com lágrimas nos olhos: “Foi um tempo escuro para nós. Mas acredite, dentro de todo o desespero e luto, nós encontramos Jesus. De alguma forma, encontramos força para pronunciar palavras de amor e perdão, para falar do poder de Jesus vivendo dentro de nós. Ele é mais forte do que o ódio e a injustiça”.

Depois de um tempo, Saadeh se uniu a uma rede de famílias palestinas e israelenses que perderam seus filhos durante o conflito. “Nós compartilhamos sobre nossas perdas, o que tem me ajudado muito. Agora eu tenho amigos israelenses”. Após a morte da filha, Saadeh prega para muitos grupos cristãos, inclusive no exterior.

Fonte: Portas Abertas

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