Como a prisão de um pastor evangélico americano ajudou a derreter a lira turca

"Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome.” Mateus 24:9

13 de agosto de 2018.

 

Um pastor evangélico americano é o pivô da crise que faz a lira turca despencar, resultado de sanções sem precedentes impostas pelos EUA a um aliado da Otan, colocando a Turquia no mesmo patamar de países rotulados pelos EUA como violadores de direitos humanos.

Líder da pequena Igreja da Ressurreição de Izmir, Andrew Brunson, de 50 anos, viveu as últimas duas décadas na Turquia. Foi preso em 2016, na esteira da onda repressora que varreu o país após a tentativa de golpe contra o governo de Recep Tayyip Erdogan.

Ele engrossava a extensa lista de desafetos perseguidos pelo então premier e atual presidente: são juízes, jornalistas, acadêmicos e também cidadãos turcos que têm nacionalidade americana. Brunson é acusado de espionagem e de ligações com dois arqui-inimigos de Erdogan: o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e o clérigo muçulmano Fethullah Gulen, radicado nos EUA, a quem o presidente responsabiliza por orquestrar o golpe.

Desde o fracasso do golpe, Erdogan insiste na extradição de Gulen. Tentou usar o pastor como moeda e chegou a cogitar a troca dos dois religiosos, totalmente descartada pelo governo americano. Ao contrário, deflagrou uma onda de sanções, em retaliação à prisão de Brunson, azedando de vez a relação entre os dois países.

Os EUA incluíram dois ministros turcos, o do Interior e o da Justiça, como alvo de punições, proibindo, entre outras medidas, sua entrada em território americano. A Casa Branca não fez objeções quando o Congresso bloqueou a venda de 100 aviões de combate F-35 para a Turquia. E, por fim, Trump autorizou a duplicação de tarifas sobre o aço e o alumínio da Turquia, colocando a lira em queda livre e arrastando, por tabela, os mercados emergentes.

Para Trump, a disputa com um parceiro da Otan também oferece riscos. De imediato, o de que a Turquia, uma espécie de amortecedor entre o Ocidente e o Oriente e que atualmente abriga milhares de refugiados da Síria, se volte contra a Europa.

Em artigo publicado neste domingo, no “New York Times”, Erdogan ameaçou sair em busca de novos amigos. Também alvos de sanções americanas, Irã, Síria e Rússia assistem ao impasse, prontos para socorrer a Turquia. Este cenário recomenda prudência a Trump: ainda é melhor manter Erdogan em seu clube do que fora dele.

Fonte: G1

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