Brunei proíbe celebrações natalinas em nome da sharia

“Então vos hão de entregar para serdes atormentados, e matar-vos-ão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome.” Mateus 24:9

24 de dezembro de 2015.

 

Nem guirlandas, nem luzes. O sultanato do Brunei proibiu neste ano as festas natalinas em nome da sharia ou lei islâmica, aplicada neste rico país petroleiro do sudeste asiático.

O sultão Hassanal Bolkiah, um dos homens mais ricos do mundo, anunciou no ano passado a introdução progressiva da sharia, que inclui castigos como apedrejamento e amputações.

Neste mês, as autoridades deste país de 430 mil habitantes, dos quais dois terços são muçulmanos, advertiram que estão terminantemente proibidas as decorações e celebrações natalinas porque, em sua opinião, poderiam desvirtuar os muçulmanos. O descumprimento das diretrizes será castigado com até cinco anos de prisão.

"Para mim será o Natal mais triste que já houve", declarou à AFP um expatriado malaio que pediu para ter a identidade preservada.

"O melhor do dia de Natal é levantar e ter a sensação de que é Natal", completou.

As empresas tiveram que retirar as decorações natalinas e na capital, Bandar Seri Begawan, foram multiplicados os controles. Os hotéis onde se hospedam turistas estrangeiros ficaram sem as guirlandas luminosas e as árvores de Natal.

"Tudo isto é só porque o sultão quer", lamenta um expatriado cristão.

A maioria dos habitantes tem medo de falar abertamente sobre esta proibição e tenta se adaptar da melhor forma. "Vou trabalhar no Natal depois da missa. Temos que nos acostumar", diz uma camareira filipina, contatada por telefone.

Outros não hesitaram em publicar imagens de Natal nas redes sociais.

Nem cruz, nem velas
"Esta proibição é ridícula. Transmite a imagem de um Islã que não respeita os direitos de outras regiões de celebrar sua fé", declara uma muçulmana que pediu anonimato.

"O Islã nos ensina a respeitarmos uns aos outros, e acredito que isto começa pelo respeito das outras religiões", completou.

Outros muçulmanos compreendem esta proibição sempre que for aplicada aos locais públicos. As autoridades asseguram que o objetivo é evitar a conversão dos muçulmanos e os líderes religiosos defendem que a parafernália natalina é contrária ao Islã.

"Nas celebrações de Natal, os muçulmanos que seguem os preceitos da religião cristã - utilizando símbolos como a cruz, as velas acesas, as árvores de Natal e os cânticos religiosos - atuam contra a fé islâmica, declararam neste mês líderes muçulmanos em uma oração da sexta-feira, segundo o Boletim de Bornéu.

O sultão, cuja fortuna é estimada em US$ 20 bilhões, é proprietário da rede hoteleira Dorchester Collection. A aplicação estrita da sharia provocou no ano passado convocações de boicote nos hotéis de sua propriedade.

Alguns bruneanos consideram que a proibição das celebrações de Natal é um passo perigoso para a intolerância religiosa no Brunei, o único país do sudeste da Ásia que aplica estritamente a sharia.

"Na era da globalização, muitos países tentam unir as pessoas distintas e de religiões diferentes, mas não parece ser o caso daqui", declarou à AFP um estrangeiro de religião católica.

Fonte: AFP.

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