Trump informa presidente palestino, Egito e Jordânia que pretende transferir embaixada dos EUA em Israel para Jerusalém

05 de dezembro de 2017.

O presidente americano Donald Trump ligou nesta terça-feira (5) para o presidente palestino, Mahmoud Abbas, o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, e o rei Abdullah da Jordânia para comunicar sua intenção de transferir a embaixada dos EUA em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.

De acordo com o porta-voz do presidente palestino, Abbas advertiu o presidente americano que sua iniciativa vai ter "consequências perigosas". O alerta de Abbas se soma a uma série de reações do mundo muçulmano, que teme que a decisão de Trump possa minar ainda mais os esforços de paz entre Israel e a Palestina.

A mudança da embaixada é uma promessa eleitoral de Trump, que, no entanto, prorrogou em junho, por mais seis meses, a lei que estabelece que Tel Aviv seja sede da legação diplomática. A cidade de Jerusalém foi ocupada por Israel em 1967 e é reivindicada pelos palestinos como capital de seu futuro Estado.

Após a conversa, Abbas pediu ao Papa Francisco e a líderes mundiais que intervenham contra a intenção de Trump.

"Depois da ligação com o presidente Trump, o presidente Abbas falou com os presidentes da Rússia e França, com o Papa e com o rei Abdullah da Jordânia. Disse a eles que tal mudança foi rejeitada e os exortou para intervirem para evitar que isso aconteça", disse o porta-voz Nabil Abu Rdainah à agência Reuters.

O presidente egípcio alertou Trump contra "medidas que prejudiquem as chances de paz no Oriente Médio". O comunicado da presidência afirma ainda que al-Sisi "afirmou a posição do Egito de preservar o status legal de Jerusalém dentro do âmbito de referências internacionais e resoluções relevantes da ONU".

O rei da Jordânia advertiu Trump que tal medida teria "graves consequências na estabilidade e segurança da região" e iria obstruir os esforços norte-americanos de retomar as negociações de paz entre palestinos e israelenses, segundo comunicado do ministério das Relações Exteriores jordaniano.

A decisão fomentará a violência e não contribuirá para o processo de paz, alertou a Jordânia, que é guardiã dos lugares santos muçulmanos de Jerusalém. A posição jordaniana também foi comunicada pelo ministro do país, Ayman Safadi, em uma conversa telefônica com seu homólogo americano Rex Tillerson.

Decisão

Na segunda-feira (4), a Casa Branca comunicou que Trump resolveu adiar a decisão, e que um pronunciamento deve ser feito ainda nesta semana.

"O presidente foi claro: não é uma questão de 'se', mas de 'quando' haverá a transferência, declarou o porta-voz Hogan Gidley. "Mas não será adotada qualquer decisão hoje e faremos um anúncio nos próximos dias", disse Gidley.

Em 1995, o Congresso americano adotou o "Jerusalem Embassy Act", que pede ao executivo a transferência da embaixada. A lei é vinculante para o governo americano, mas uma cláusula permite aos presidentes adiar sua aplicação durante seis meses em virtude de "interesses de segurança nacional".

Todos os presidentes fizeram isso desde 1995 por considerarem que não era o momento para uma decisão dessa envergadura.

Reconhecimento

Os EUA não reconhecem Jerusalém como capital de Israel. Como outros países, o governo americano mantém sua embaixada fora da cidade, ocupada por Israel em 1967 e reivindicada pelos palestinos.

A transferência da embaixada seria vista como um reconhecimento da ocupação e da soberania de Israel sobre toda a cidade.

Os palestinos querem Jerusalém Oriental como capital de seu futuro Estado, e a comunidade internacional não reconhece a reivindicação israelense sobre a cidade como um todo.

Fonte: G1

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