Parada do Orgulho Gay em Jerusalém desafiará homofobia em Israel

21 de julho de 2016.

 

A homofobia persiste em Israel. Isso é o que ativistas da comunidade LGBT denunciam faltando um dia para a realização, com grandes medidas de segurança, da Parada do Orgulho Gay de Jerusalém, pequena e feita por um grupo que sofre anualmente rejeições de figuras públicas e religiosas.

Ao contrário da grande marcha realizada todos os junhos em Tel Aviv - reunindo anualmente 200 mil pessoas e que projeta a cidade como a mais Gay friendly do Oriente Médio - em Jerusalém o evento junta apena 5 mil participantes e bate de frente com a discriminação, que este ano incluiu comentários homofóbicos de famosos líderes religiosos.

Em 2015, um ultraortodoxo apunhalou seis indivíduos durante a marcha e conseguiu matar Shira Banki, uma jovem de 15 anos, que, segundo os organizadores, reduziu a hostilidade na esfera pública contra o evento deste ano.


Mesmo assim, a The Jerusalem Open House for Pride and Tolerance (JOH) - Casa de Jerusalém do Orgulho e a Tolerância - teve que denunciar o ultradireitista Baruch Goldstein por "incitação à violência", que em artigo "instava de forma dissimulada - citando uma seção da Torá - o assassinato motivado por extremismo religioso no Orgulho", explicou à Agência Efe o vice-diretor da entidade, Tom Canning.

"Tel Aviv é uma bolha. Basicamente, em qualquer cidade ou povoado da periferia de Israel você sofre com homofobia e intolerância", afirma.

Prova disso é o cancelamento esta semana da Marcha do Orgulho Gay em Be'er Sheva, no sul do país, determinado pelas autoridades para evitar enfrentamentos.

"Temos problemas para fazer frente à homofobia a partir das instituições. Autoridades e políticos têm sempre palavras vazias e não atuam nem aprovam mudanças legislativas", denuncia Canning.

Na semana passada, o rabino Yigal Levinstein, que comanda uma academia de recrutamento militar em uma colônia, disse que homossexuais são "pervertidos que perderam a normalidade" e as autoridades demoraram mais de uma semana para condenar tais palavras.

Yaakov Ariel, rabino chefe da cidade de Ramat Gan, acrescentou depois que "gays e lésbicas são incapacitados e predadores que sofrem um problema real que deve ser solucionado com tratamentos psicológico e medicamentoso". Segundo ele, gays "não têm o que se orgulhar" e querem "transformar crianças em homossexuais", segundo o portal "Ynet".

Esta semana, o presidente de Israel, Reuven Rivlin, condenou a incitação homofóbica.

"As declarações que saem da boca de rabinos, líderes e dirigentes espirituais me magoam profundamente. Devo lembrar que amado é o homem, porque foi criado a imagem de Deus. Qualquer homem, para além de sua religião, raça ou sexo", disse o presidente.

Rivlin pediu "um espaço público onde exista respeito a todas as pessoas" e se evite o "diálogo violento, prejudicial, de ódio e destrutivo", e reconheceu que "há muito trabalho a ser feito".

O judeu ortodoxo e gay Nadav Schwartz afirma que muitos comentários procedem de comunidades religiosas.

"Eles têm medo dos gays, mas não é uma questão de lei religiosa, mas sim social. Não está na Torá (Bíblia), que é muito compassiva com todos, inclusive com os quais se desviam dela".

Caning concorda. Para ele, o judaísmo não é homofóbico.

"Ele exige tolerância, aceitação e compreensão com o que é diferente. Homofóbicas são as pessoas, que o utilizam cinicamente", enfatizou.

Sua organização denuncia que o Knesset (parlamento israelense) aprovou "pouca ou nenhuma legislação desde 1988, quando foram suspensas as leis anti-sodomia" e pede mudanças legislativas, como aumentar as condenações a crimes de ódio, casamento homossexual, igualdade de casais LGBT e melhorias no entorno educativo e militar.

Hada Bloemendal, que trabalha com menores gays, lembrou que a Knesset se negou a modificar uma lei para que os pais não possam obrigar menores de 18 anos a participar dos chamados "tratamentos de conversão, que é prejudicial".

A Marcha do Orgulho Gay de Jerusalém não tem muitos carros alegóricos com drag queens, nem muita dança, nem muita bebida alcoólica. É um encontro muito mais comedido no qual a comunidade pretende "mostrar a discriminação e violência que ainda sofre e pedir tolerância".

Hoje, o prefeito da cidade, Nir Barkat, fez polêmicas declarações ao assinalar que não participará do evento "para não ferir os sentimentos dos religiosos (judeus)" e pediu para que a comunidade LGBT seja consciente de que a marcha "fere os demais". 

Fonte: EFE.

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