O desafio internacional de reativar o processo de paz no Oriente Médio

03 de junho de 2016.

 

Uma reunião internacional sobre o conflito israelense-palestino, a primeira em quase 10 anos, será realizada na sexta-feira, em Paris, para tentar reavivar o processo de paz abandonado há anos. Mas, segundo Israel, a iniciativa está condenada ao fracasso.

A conferência, que reunirá os ministros e representantes de trinta países ocidentais, árabes, a ONU e a União Europeia (UE), ocorrerá sem os dois principais afetados e pretende, antes de tudo, reafirmar seriamente o compromisso internacional em favor da solução de dois Estados.

Trata-se de "revisar" um antigo plano abandonado desde a Primavera Árabe e a explosão dos conflitos regionais, segundo o chefe da diplomacia francesa, Jean-Marc Ayrault.

Paris quer voltar a mobilizar a comunidade internacional em favor de uma "solução de dois Estados" diante de uma grande conferência que será realizada no outono, com os israelenses, palestinos e os grandes atores implicados.

Mas o ministro de Assuntos Exteriores israelense assegurou, um dia antes da reunião, que esse processo "fracassará", pois o Estado hebreu se opõe firmemente a qualquer enfoque multilateral do conflito, e propôs negociações diretas com os palestinos.

"Ninguém pode imaginar que encontraremos uma solução de paz sem as duas partes. Mas neste momento, se sentarmos com os israelenses e os palestinos ao redor de uma mesa, é muito provável que a discussão dure poucos minutos", argumentou uma fonte diplomática francesa.

As últimas negociações diretas, realizadas sob os auspícios dos americanos, fracassaram em 2014. O Oriente Médio segue sendo um eterno barril de pólvora. Inclusive, sendo um "conflito de baixa intensidade", a situação piora com frequência.

Concretamente, os participantes não irão entrar na sexta-feira com detalhes, nem com os parâmetro de uma futura negociação, escritos em inúmeras resoluções e textos internacionais. Mas Paris quer realizar um grupo de trabalho em torno de temas concretos como incentivos econômicos para a paz, medidas para baixar a tensão no local, ou garantias de segurança regional.

A iniciativa árabe de 2002, que tinha como proposta normalizar as relações com Israel em um contexto de paz global e a retirada israelense dos Territórios Palestinos, aparece igualmente como um caminho a retomar, segundo as fontes diplomáticas.

O processo francês enfrenta, no entanto, múltiplos obstáculos, o primeiro dos quais é a hostilidade mostrada por Israel. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, repetiu que está disposto a retomar as negociações diretas com os palestinos até para ressuscitar o plano árabe de 2002. Porém, diversos especialistas creem que é só uma forma de ganhar tempo.

Resta saber o envolvimento dos Estados Unidos, um dos atores históricos e imprescindíveis do processo. O secretário de Estado americano, John Kerry, que mediou as negociações entre 2013 e 2014, estará na reunião de Paris. "Não tomamos nenhuma decisão sobre qual será a nossa função", assinalou nesta quinta-feira um alto funcionário do Departamento de Estado.

Somente os palestinos, "à beira do desespero", segundo uma fonte diplomática francesa, apoiam plenamente a iniciativa. "As negociações bilaterais entre israelenses e palestinos duram 25 anos, sustentadas pelos americanos, e não levaram a nada. É necessária uma intervenção internacional para salvar a solução de dois Estados", considerou o embaixador palestino em Paris, Salman El Herfi. 

Fonte: AFP.

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