Nascimento do Estado de Israel é preservado em salão de Tel Aviv

18 de abril de 2018.

 

Três microfones e duas bandeiras israelenses em volta do retrato do fundador do sionismo, Theodor Herzl, continuam expostos hoje em um salão de uma das primeiras casas de Tel Aviv, exatamente como foram colocados em uma sexta-feira de 1948 para a leitura da declaração de Independência do Estado de Israel.

Eram quatro da tarde de 14 de maio, dia 5 do mês de Iyar segundo o calendário hebreu, que os israelenses lembrarão nesta quinta-feira, e o edifício, situado no icônico boulevar de Rothschild, reuniu mais de 400 pessoas, bem mais do que o número de convites entregues.

Declarar a independência em Jerusalém estava fora de cogitação, já que a cidade estava imersa em confrontos entre judeus e árabes após a aprovação do Plano de Partilha de 1947, que dividiu o mandato britânico da Palestina, rejeitado pelas populações locais.

Portanto, foram procurados locais seguros em Tel Aviv, fundada em 1909, antes mesmo da criação do próprio Estado, onde a antiga casa do prefeito, Meir Dizengof, transformada em 1932 no primeiro Museu de Arte como último desejo de sua falecida mulher, acolheu o emblemático evento ocorrido há 70 anos.

"É uma casa muito segura, os muros são de concreto, está a salvo, tem uma entrada segura, ninguém pode escutar da rua, porque é profunda, o salão está no final da casa. Em matéria de proteção é o melhor lugar", explicou à Agência Efe Ruthie Amano, responsável de conteúdos do hoje conhecido como Salão da Independência.

Mas a escolha não foi só prática. O local, que então era ponto de encontro de intelectuais judeus de Tel Aviv, também tem uma carga simbólica.

"De alguma maneira, pode receber todos os judeus que não puderam estar aqui. As obras que estão nas paredes são de pessoas e artistas judeus. De certo modo, pode ter todos, te cercando, em espírito", disse Ruthie, apontando para as pinturas penduradas naquele dia e mantidas no mesmo lugar até hoje.

O primeiro chefe de governo de Israel, David Ben Gurion, foi o primeiro dos 37 membros signatários do recém criado Conselho Provisório do Estado a assinar o documento escrito em uma língua hebreia moderna ainda incipiente.

"É uma mistura entre o moderno que falamos hoje e um tipo de hebraico que não se escreve nem é utilizado", comentou Ruthie sobre o texto que foi redigido precipitadamente em um pergaminho e que foi lido em 15 minutos antes da execução do "Ha Tikva", o hino nacional.

O país que acabava de nascer estava imerso no debate de sua idiossincrasia: Que língua utilizar? Que cultura? Que forma de Estado? Que relação iria ter com a religião?

"Há muitos argumentos para falar em hebraico, porque é o que se lê na Torá, é uma língua muito importante, mas é sagrada. Vamos utilizá-la todos os dias? Nos jornais? No início parecia estranho, mas, ao voltar a usar a nossa língua, voltamos a estar vivos de novo", argumentou Ruthie sobre a escolha.

"Este direito é o direito natural do povo judeu de ser dono do seu próprio destino, com todas as outras nações, em um Estado soberano próprio", afirma a declaração lida há 70 anos, que sentencia: "Proclamamos o estabelecimento de um Estado judeu em Eretz Israel, que será conhecido como o Estado de Israel".

As personalidades então presentes, como a que seria única primeira-ministra de Israel, Golda Meir, são recordadas hoje com a inscrição do seu nome nas cadeiras que ocuparam.

"Fica constituído o Estado de Israel. A sessão terminou", declarou Gurion ao término do ato, sobre o qual muitos consideram que foi o reconhecimento e não o início do Estado, levando em conta as migrações de judeus que, desde o final do século XIX, já tinham fundado instituições.

"Quando se lê a declaração, Israel é uma realidade. Temos Tel Aviv, o movimento dos kibutz (cooperativas agrárias), teatros, equipes esportivas. O que Gurion fez nesse dia com palavras, com frases, foi torná-la legal, pegar todas essas ideias independentes e dar a elas o mesmo nome, escolher um líder e um knesset (parlamento)", destacou Ruthie.

Fonte: EFE

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