Museu de Israel abre suas portas aos primeiros passos do cristianismo

06 de junho de 2016.

 

O ossuário de Caifás e a primeira evidência de uma crucificação são algumas das atrações de uma nova mostra no Museu de Israel que tenta aproximar o peregrino à época de Jesus e às circunstâncias teológicas e sociopolíticas que deram vida ao cristianismo na Judeia há dois mil anos.

Sob o nome de "O berço do cristianismo", a exposição é destinada principalmente ao turista cristão que costuma visitar locais santos e que agora tem a oportunidade de se aproximar, através de "12 estações arqueológicas", da época narrada nos Evangelhos e dos primeiros anos da cristandade na Terra Santa.

"Trazidos pelas agências de viagens, os turistas vão aos lugares santos, que já não são como eram há dois mil anos. Nós pretendemos aproximá-los dessa época", declarou Ran Lior, responsável comercial do Museu de Israel.

Os objetos em exposição pertencem à coleção permanente da instituição, mas agora o visitante poderá contemplá-los sob uma nova perspectiva, que conta como era o entorno da vida e obra de Jesus Cristo.

O primeiro item da mostra é uma imponente maquete da Jerusalém nos tempos do Segundo Templo, por volta do ano 66 d.C, quando estava cercada por pelo menos três muralhas.

Os arqueólogos debatem ainda hoje se o calvário - onde Jesus foi crucificado - estava situado dentro ou fora das primeiras muralhas, uma incógnita que na maquete aparece entre a segunda e terceira fortificação.

No local, sobre um descampado rochoso, foi erguida a basílica do Santo Sepulcro.

"Esta é a Jerusalém dos tempos de Jesus e do Templo por onde circulavam os vendilhões", contou à Agência Efe Jaguit Maoz, curadora da exposição.

No Santuário do Livro, coroado por uma abóbada em forma de vasilha e com um abrigo nuclear em suas entranhas, está outra das grandes atrações da exposição: os Manuscritos do Mar Morto, "as cópias da Bíblia mais antigas já descobertas".

Essas preciosidades foram encontradas no século XX nas cavernas de Qumran, no Mar Morto, próximas de uma comunidade de uma seita ascética judaica a qual muitos analistas, entre eles o papa emérito Bento XVI, vinculam com a gestação do cristianismo: os essênios.

Conservados a uma temperatura de 18 graus e uma umidade de 50% que emulam as condições das cavernas do deserto da Judeia, entre os escritos há inúmeros fragmentos do Livro de Isaías, além das estritas regras da comunidade "Yachad", outra seita judaica, que como os essênios, compartilhavam ideários de pureza, limpeza e contra a corrupção dos sacerdotes.

"Esta seita teve as mesmas ideias no mesmo tempo em que viveu Jesus", explicou Jaguit.

Outra atração, uma esteira real da bíblica terra de Canaã datada do século IX a. C. lembra em hebraico a "casa de David", única evidência antiga no mundo onde aparece esse nome, de cuja linhagem devia proceder o messias, segundo a tradição judaica.

Provavelmente o principal destaque da mostra é o ossuário de Caifás, o sumo sacerdote judeu que, de acordo com o Novo Testamento, entregou Jesus aos romanos.

Achado por acaso em 1990 e datado no ano 63 d.C., tem gravado em uma de suas laterais o nome do sacerdote em aramaico: Yossef bar Kayafa.

Uma pedra localizada em Cesareia, que teve um segundo uso, contém o nome em latim de Pôncio Pilatos, com uma inscrição datada entre 26 d.C. e 36 d.C..

Ambos objetos são os únicos testemunhos físicos encontrados na região sobre essas duas importantes figuras do Evangelho relacionadas à crucificação de Jesus.

E como prova da existência deste castigo, uma réplica científica do calcanhar de um condenado atravessado por um prego, "a única prova que temos de uma pessoa crucificada em Jerusalém no primeiro século de nossa era", detalhou Jaguit.

A curadora ressaltou que os romanos costumavam extrair os pregos para reutilizá-los, mas que neste caso não pôde ser retirado por ter se dobrado e foi depositado no ossuário.

O calcanhar pertence a um misterioso "Yehohanan Ben Hagkol" ("João, filho de Hagkol"), de quem pouco se sabe além de que foi crucificado entre os 30 e 35 anos e enterrado em uma caverna ao norte da antiga Jerusalém.

A mostra se encerra com uma reconstrução em tamanho real de uma igreja bizantina, que coexiste com destroços de sinagogas dos primeiros séculos do cristianismo, mosaicos, relicários e lembranças que os peregrinos levam da Terra Santa. 

Fonte: EFE.

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