Israel e Síria: nova guerra prestes a começar?

"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;..." Mateus 24:6

16 de setembro de 2016.

 

Os recentes ataques recíprocos entre a Síria e Israel ocorridos na zona das Colinas de Golã causaram preocupação entre alguns analistas, que acreditam que essas ações podem desencadear uma nova escalada do antigo conflito entre os dois países.

O presidente do Instituto russo de Estudos do Oriente Médio, Yevgeny Satanovsky, citado pela Agência Federal de Notícias (FAN, na sigla em russo), não compartilha desta preocupação, dado que, segundo ele, Israel não tem uma política especial em relação à Síria.

"Atualmente, quando um projétil cai em território israelense a partir do território sírio, Israel, em resposta, destrói na linha de fronteira os pontos que lhe parecem convenientes. O resto não interessa a Israel", explicou Yevgeny Satanovsky.

Nos últimos tempos, Israel se preocupa apenas em defender seu próprio território, salienta o especialista.

Tendo em conta que a aviação da Rússia participa da luta contra o terrorismo na Síria, Satanovsky comentou que a possibilidade de confrontação entre os militares russos presentes no país árabe e os soldados israelenses é mínima. Para além disso, os interesses políticos de Moscou e de Jerusalém na região não são contrários, afirma Satanovsky.

"A Rússia mantém boas relações com o Irã, com Israel, com repúblicas árabes, com monarquias árabes, da Jordânia aos Emirados, até mesmo com a Arábia Saudita", frisa o analista.

Ele também afirmou que o acordo de ajuda militar assinado entre Israel e os EUA em 13 de setembro, que prevê a cooperação militar no valor de 3.800 milhões de dólares por ano, durante 10 anos, não terá efeito sobre o estado das relações entre Israel e a Síria.

"Israel vai atuar na Síria tal como tem atuado até agora, partindo das suas ideias sobre a sua própria segurança", salienta Satanovsky.

A maior divergência entre Israel e Síria se deve à disputa que os dois países mantêm relativamente às Colinas de Golã. Este planalto estratégico, localizada na fronteira entre Israel, Líbano, Jordânia e Síria, pertencia à Síria desde 1944, mas passou parcialmente para as mãos israelenses durante a guerra de 1967, também conhecida como Guerra do Yom Kippur. Em 1981, o Knesset (parlamento de Israel), decidiu, unilateralmente, declarar a soberania do país hebraico sobre este território.

No entanto, a resolução 497 do Conselho de Segurança da ONU, em 1981, declarou as Colinas de Golã como território sírio ocupado. A ocupação israelense foi igualmente condenada pela Assembleia Geral da ONU em 2008. Apesar das tentativas de diálogo, a devolução das terras em troca da assinatura da paz entre a Síria e Israel nunca chegou a se concretizar.

As últimas tentativas de negociação tiveram lugar em 2008, com a mediação da Turquia, mas novamente foram frustradas. Entre outras coisas, naquela ocasião, Israel mostrou seu desconforto pelas relações próximas entre Bashar al-Assad e o Irã, e também entre a Síria e a organização islâmica libanesa Hezbollah.

Fonte: Sputnik.

Comentários

ALEXANDRA B.DE SOUZA em 10/11/2016 13:35:01
Interessante a posição da ONU nesta questão,sempre contrária a Israel.Não nos esqueçamos que na guerra de IOM KIPUR (provocada por países àrabes)a Síria jogava bombas para cima de Israel da posição estratégica que possuía,lá do alto das colinas do Golã e depois de perder a guerra fica reclamando estes territórios,que com certeza,se tiver oportunidade,novamente jogará bombas para cima de Israel.Em vista destas circunstâncias acho justo estas colinas ficarem com o estado de Israel e não com a Síria.
João Reis em 18/09/2016 13:09:32
Israel será vencedor em todas as situações de guerra que se levantarem contra o seu país.

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