Israel diz que crescem ataques palestinos ao estilo do Estado Islâmico

"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;..." Mateus 24:6

11 de julho de 2016.

 

Os primos palestinos planejavam um tiroteio em massa em um vagão de trem israelense. Eles também levaram facas, caso suas armas improvisadas emperrassem.

Mas após conseguirem entrar furtivamente em Israel vindos de seus lares na Cisjordânia ocupada, a dupla encontrou detectores de metal na estação de trem. Então tomaram um táxi para Tel Aviv e atiraram nos clientes de um restaurante popular no elegante mercado de Sarona, matando quatro israelenses.

O Shin Bet, o serviço de segurança doméstica de Israel, disse nesta semana que o ataque ocorrido no mês passado foi "inspirado" pelo Estado Islâmico, e que um dos autores, Muhammad Mhamra, 21, voltou de estudos na Jordânia como apoiador do grupo extremista. Assim como um crescente número de terroristas solitários em todo o mundo, as autoridades disseram que não há evidência de que Mhamra e seu primo de 20 anos, Khaled, foram oficialmente recrutados pelo Estado Islâmico (EI) ou receberam algum apoio dele.

Passados nove meses do aumento de ataques palestinos, que a certa altura incluíam várias facadas por dia, as autoridades e especialistas dizem que a violência com facas diminuiu, mas que há um aumento paralelo no número de jovens palestinos tentando atirar em israelenses. Mais de 30 israelenses e dois visitantes americanos foram mortos por palestinos desde 1º de outubro. No mesmo período, mais de 200 palestinos foram mortos por israelenses, muitos enquanto atacavam ou, segundo as autoridades israelenses, pretendiam fazê-lo.

"Há um crescente padrão de operações como as do EI", disse Ehud Yaari, um membro baseado em Israel do Instituto Washington para Políticas para o Oriente Próximo. Jovens que evitavam grupos palestinos estabelecidos como o Hamas, Fatah ou Jihad Islâmica estão, ele disse, "copiando o modelo estabelecido em Bruxelas, San Bernardino e outros lugares".

O conflito entre israelenses e palestinos não figura de forma proeminente na agenda do Estado Islâmico, como na do Hamas, o grupo islamita que controla a Faixa de Gaza, ou da organização xiita libanesa Hizbollah. Os ataques pelos palestinos também são menos mortais e menos sofisticados do que os atentados a bomba suicidas ou os massacres com armas ocorridos em outros lugares.

Mas a situação permanece imprevisível. Na semana passada, um palestino de 19 anos, Mohammad Tarayreh, matou a facadas uma menina israelense de 13 anos, Hallel Yaffa Ariel, em sua cama em um assentamento na Cisjordânia ocupada. No dia seguinte, um pai israelense de 10 filhos, o rabino Michael Mark, foi morto por um atirador em um carro em uma via principal no sul da Cisjordânia, e sua mulher e filha foram feridas.

Após esses ataques e o tiroteio no Sarona antes deles, o governo direitista de Israel adotou medidas incomumente duras para reprimir um grande número de palestinos, o que alguns analistas atribuem ao fato de Avigdor Lieberman, um colono ultranacionalista, ter assumido como ministro da Defesa.

As Forças Armadas israelenses limitaram rigidamente o deslocamento entre cidades no sul da Cisjordânia, incluindo a importante cidade de Hebron, uma medida que provavelmente continuará em vigor até que os atiradores que mataram o rabino Mark sejam presos. Israel também disse que deduzirá imediatamente da receita de impostos que coleta em nome da Autoridade Palestina uma soma não especificada, equivalente ao que a autoridade paga em ajuda às famílias de pessoas que realizam atos terroristas.

Antes, depois de Sarona, Israel cancelou mais de 80 mil permissões especiais de viagem que permitem aos palestinos visitar Israel durante o mês sagrado do Ramadã.

Mas o aparato de segurança ainda tem dificuldades para conter o pequeno fluxo de um levante no qual os perfis e motivações dos atacantes desafiam uma definição simples. Eles incluem crianças de apenas 12 anos, jovens desempregados e profissionais. O Shin Bet anunciou recentemente a prisão de um dentista na faixa dos 30 anos pela detonação em maio de um artefato explosivo que feriu seriamente um oficial palestino.

Alguns dos agressores palestinos agem por motivações nacionalistas ou religiosas, frustrados pelas imposições de uma ocupação israelense que já dura 50 anos e sem fim à vista. Outros possuem vidas pessoais problemáticas e parecem basicamente estar cometendo suicídio ao sacar armas diante de soldados. Outros postam nas redes sociais que buscam vingar a morte de parentes, amigos ou agressores desconhecidos que atacaram antes deles. As autoridades palestinas e organizações de direitos humanos acusam as forças israelenses de uso excessivo de força e, em alguns casos, de realizar execuções extrajudiciais.

Muitos dos ataques ocorreram em Gush Etzion, uma área movimentada em meio a um aglomerado de assentamentos e vilarejos palestinos ao sul de Jerusalém. Em um dia recente, um alto oficial israelense estava na área agora mais calma e explicou que os militares se recuperaram da surpresa inicial e estavam empregando novas ferramentas para ajudar a reprimir o aumento de esfaqueamentos.

O oficial, que falou sob a condição de anonimato de acordo com as regras do Exército, disse que a ideia era deter agressores potenciais antes mesmo de tentarem. Os militares rastrearam as fontes da violência a aldeias ou clãs em particular, realizou prisões e revistou casas, além de se concentrar nas redes sociais, detendo assim dezenas de palestinos suspeitos de disseminarem incitação pela internet.

Ghassan Khatib, vice-presidente da Universidade de Birzeit, na Cisjordânia, disse que a Autoridade Palestina também adotou medidas preventivas, como o envio das forças de segurança às escolas para revistas à procura de armas. Apesar da liderança palestina no início não ter ousado ir contra o apoio popular às facadas, ele acrescentou, ela gradualmente começou a conter a agitação violenta por meio de mensagens na mídia, à medida que o sentimento da população mudava.

"As pessoas sentiam que não era algo eficaz e nem sábio", explicou Khatib. "Adolescentes estavam sendo perdidos de modo sem sentido e por nada em troca."

Fonte: The New York Times.

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