Trump alerta Irã, Rússia e Síria contra ofensiva em Idlib

"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;..." Mateus 24:6

04 de setembro de 2018.

 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou nesta terça-feira (04/09) a Síria, Rússia e Irã contra uma possível ofensiva do regime de Damasco contra o último bastião dos rebeldes sírios na província de Idlib, no noroeste do país assolado por uma guerra civil desde 2011.

"Os russos e os iranianos estariam cometendo um grave erro humanitário ao participar dessa potencial tragédia humana. Centenas de milhares de pessoas poderiam ser assassinadas. Não deixem que isso aconteça!", escreveu Trump no Twitter, alertando que o presidente sírio, Bashar al-Assad, não deve "atacar de modo imprudente" a província.

O alerta surgiu em meio a uma visita não anunciada do ministro iraniano do Exterior, Mohammad Javed Zarif, a Damasco, onde se reuniu com Assad antes da iminente ofensiva contra os insurgentes. Forças sírias se acumulam ao redor da província, numa suposta preparação para o ataque. 

A ONU e organizações de ajuda humanitária afirmaram que uma operação militar em Idlib poderia gerar uma catástrofe humanitária em escala ainda não vista durante a guerra civil na Síria. Oficiais da ONU acreditam que uma ofensiva a Idlib desencadearia uma onda de deslocamento que poderia desenraizar cerca de 800 mil pessoas, além de desencorajar refugiados a voltarem para casa. 

Cerca de 3 milhões de pessoas vivem em Idlib e nas áreas em volta da cidade – quase metade desses habitantes já se deslocaram mais de uma vez por causa do conflito civil. 

A Rússia e o Irã, entretanto, insistem que os grupos extremistas na província devem ser eliminados. Ambos os países deverão apoiar uma provável ofensiva do regime sírio na região.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, reiterou a posição da Rússia nesta terça e chamou Idlib de "um ninho de vespas terrorista". Sobre o tuíte de Trump, Peskov afirmou que alertas como este não levam em consideração o "potencial perigoso e negativo" do enclave dominado pelos rebeldes e mostram que a Casa Branca não tem "uma abordagem abrangente" para resolver a crise síria.

Teerã e Moscou vêm fornecendo apoio militar, político e financeiro para o regime de Assad durante o conflito que já causou mais de 350 mil mortes e deixou milhões de refugiados.

Aviões de guerra russos bombardearam pontos na área rural da província de Idlib, segundo informações divulgadas nesta terça-feira por um porta-voz dos rebeldes e também pelo Observatório Sírio de Direitos Humanos, sediado no Reino Unido. Segundo a ONG, os jatos russos realizaram 30 ataques em 16 áreas no triângulo formado pelo oeste de Idlib, a Planície de Al-Ghab e o nordeste da cidade portuária de Latakia.

Já a Turquia enviou tanques à província de Hatay, na fronteira com a Síria, segundo informações da agência estatal turca Anadolu. O Exército turco também enviou equipamento de construção para reforçar 12 dos seus postos de observação no noroeste da Síria, segundo informou a agência após os relatos dos ataques aéreos da Rússia.

Há meses a Turquia se empenha em esforços diplomáticos para evitar um ataque do governo sírio a Idlib.

A visita de Zarif a Damasco ocorreu poucos dias antes de um encontro de alto nível entre o Irã, a Rússia e a Síria para debater a guerra civil, que está para entrar em seu oitavo ano. Segundo um comunicado do governo sírio divulgado através do serviço de mensagens Telegram, o ministro iraniano discutiu com Assad "temas sobre a agenda do encontro tripartite" marcado para ocorrer em Teerã. 

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, afirmou na semana passada que Washington vê qualquer ofensiva em Idlib como um agravamento da guerra na Síria. O Departamento de Estado alertou que os EUA responderão a qualquer ataque químico perpetrado por Damasco.

Desde 2017, o Irã, a Rússia, também aliada do regime sírio, e a Turquia, que apoia os rebeldes, intermedeia negociações baseadas em Astana, capital do Cazaquistão, que visam pôr fim ao conflito sírio. No ano passado, Idlib foi denominada uma "zona de inversão da escalada da violência", onde o fim da violência poderia abrir caminho para a preparação de um cessar-fogo em todo o país.

Fonte: AP

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