Três pontos para entender por que a batalha de Mosul contra o Estado Islâmico é tão importante

"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;..." Mateus 24:6

21 de outubro de 2016.

 

Até 2014, antes de cair no domínio do grupo autodenominado Estado Islâmico, Mossul era a próspera capital petroleira da província de Nínive, no Iraque.

Também era o centro político, econômico e cultural do noroeste do Iraque.

Agora, depois de três meses de planejamento, forças de segurança iraquianas lançaram nesta semana uma enorme ofensiva na cidade, com reforço de combatentes peshmerga (Exército curdo no Iraque), grupos tribais sunitas e milícias xiitas, todos apoiados pela coalizão internacional encabeçada pelos Estados Unidos.

O objetivo é expulsar o grupo extremista da segunda cidade mais importante do Iraque. Mas por que é tão importante recuperar Mossul?

1. É o último grande bastião do EI no Iraque

Mossul, com 1,5 milhão de habitantes, era uma das cidades mais diversas do Iraque, com uma população de árabes, curdos, sírios, turcos e muitas minorias religiosas.

"Mossul foi onde o EI ganhou reputação global, já que antes de tomar a cidade era apenas um grupo local", diz Caroline Hawley, correspondente de assuntos diplomáticos da BBC.

"Então, quando tomaram Mossul com um ataque impressionante que o Exército iraquiano não foi capaz de reagir, todos começaram a ouvir falar do EI e o grupo virou uma grave ameaça que deveria ser levada a sério."

Seis meses antes de tomar Mossul, o grupo, que então se denominava "Estado Islâmico do Iraque e do Levante", já havia tomado a cidade de Faluja e depois conquistou vitórias importantes na guerra civil da Síria.

Mas quando entraram em Mossul, entre 10 mil e 30 mil soldados e forças de segurança iraquianas abandonaram seus postos e fugiram diante de cerca de 800 extremistas.

Desde então, o EI destruiu a autoridade do Estado iraquiano na região, estabeleceu um regime brutal que levou a um êxodo em massa de moradores e impôs sua autoridade perseguindo minorias e matando opositores.

Os extremistas continuaram avançando e tomaram boa parte da região de Nínive, além de outras áreas, em questão de dias.

2. É um centro cultural, político e econômico vital

Dias depois de tomar Mossul, o líder do grupo, Abu Bakr al Baghdadi, declarou o "califado", ou seja, um "Estado" governado segundo a lei islâmica, a sharia.

A partir de Mossul, o EI estabeleceu sua operação para recrutar seguidores pelo mundo. Pela proximidade com a Síria, tornou-se um reduto de combatentes estrangeiros e se tornou o prêmio maior do grupo extremista.

Mossul era a principal área de maioria sunita em um país dominado pelos grupos xiitas e, antes da invasão do EI, também era a cidade com maior população cristã do Iraque.

Os membros do EI são jihadistas que fazem uma interpretação extrema do ramo sunita do islã e acreditam ser os únicos reais fieis. Veem o resto do mundo como infieis que querem destruir sua religião.

No começo, muitos moradores sunitas de Mossul pareciam receber bem os extremistas. Mas a oposição começou a crescer conforme escalou a brutalidade do regime.

A cidade fica perto de importantes poços de petróleo e não muito longe de Síria e Turquia. Com uma importante rede de estradas, é um centro comercial chave na região.

A cidade se tornou uma fonte importante de receita para o EI, com impostos, trabalhos forçados e extorsões. Perder a cidade seria um enorme golpe para as finanças do grupo extremista.

Mossul, uma antiga cidade síria, também é patrimônio cultural no Iraque, rica em antiguidades e pontos históricos, muitos dos quais foram destruídos pelo Estado Islâmico.

3. Poderia ser o começo do fim do EI

Na batalha para recuperar Mossul, participam cerca de 35 mil membros das forças de segurança do Iraque, combatentes curdos, grupos tribais sunitas e forças paramilitares xiitas, com apoio da coalizão internacional dirigida pelos Estados Unidos.

Para analistas, a ofensiva deverá ser extremamente difícil. O secretário de Defesa dos EUA descreveu a batalha como "momento decisivo" para derrotar o EI.

Calcula-se que o EI tenha entre 5 mil e 8 mil combatentes prontos para defender Mossul. Acredita-se que eles estejam escondidos entre a população, estimada em 1,5 milhão de pessoas - 200 mil possivelmente serão desalojadas nas próximas semanas.

O Estado Islâmico levou meses para se preparar para essa batalha e, segundo a correspondente da BBC Caroline Hawley, é provável que empregue táticas não convencionais para vencer as forças iraquianas, como emboscadas, bombas e franco-atiradores.

"Se o EI perder Mossul, perderá uma base urbana extremamente importante", explica Hawley.

"Mas sabemos que o EI luta de maneiras pouco convencionais e temos visto que quando eles se veem sob pressão no campo de batalha, voltam a se defender com ataques terroristas", diz.

A queda de Mossul também seria um golpe nos extremistas em termos de rotas de abastecimento entre Iraque e Síria. E isso facilitaria uma operação da coalizão em Raqqa, considerada a capital do grupo na Síria.

Fonte: BBC.

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