Rússia se prepara para iniciar maior exercício militar desde o fim da União Soviética

"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;..." Mateus 24:6

10 de setembro de 2018.

Com a mobilização de cerca de 300 mil homens, a Rússia lança na terça-feira (10) os maiores exercícios militares desde o fim da União Soviética, denunciados pela Otan como o ensaio para um "grande conflito". Batizados de "Vostok-2018" (Leste-2018), em russo, eles serão realizados de 11 a 17 de setembro.

Essa mobilização maciça terá ainda a participação dos exércitos chinês e mongol e se estenderá por pontos de operações militares entre Moscou e a Península de Kamtchatka, no Extremo Oriente do paí. Os exercícios ocorrem em meio a tensões persistentes com o Ocidente, entre a crise ucraniana, o conflito sírio e inúmeras acusações de interferência na política ocidental.

O Exército russo comparou esta demonstração de força ao "Zapad-81" (Oeste-81) que, há quase 40 anos, mobilizou entre 100 mil e 150 mil soldados do Pacto de Varsóvia no Leste Europeu, as maiores manobras organizadas na era soviética.

"Haverá um ar de Zapad-81, mas mais imponente de certa maneira", declarou no final de agosto o ministro da Defesa russo, Serguei Shoigu.

"Imagine 36.000 veículos militares se movendo ao mesmo tempo: tanques, blindados de transporte de tropas, veículos de combate de infantaria. E tudo isso, é claro, em condições próximas a uma situação de combate", explicou.

Os últimos exercícios militares russos na região, Vostok-2014, reuniram 155.000 soldados, já as manobras Zapad-2017 (Oeste-2017) organizadas no ano passado nas portas da União Europeia implicaram 12.700 homens segundo Moscou, enquanto a Ucrânia e os países bálticos citaram um contingente muito maior.

'Futura guerra mundial'

À margem do Fórum Econômico de Vladivostok, no Extremo Oriente russo, onde o presidente chinês também é esperado, o presidente russo Vladimir Putin deve assistir aos Vostok-2018.

"Trata-se de uma preparação para uma futura guerra mundial. O Estado-Maior russo acredita que acontecerá depois de 2020 -- seja uma guerra global, ou uma série de conflitos regionais em larga escala. E o inimigo serão os Estados Unidos e seus aliados", explicou à AFP o especialista militar russo Pavel Felguengauer.

Segundo ele, a participação da China nesses exercícios, apesar de modesta, com 3.200 homens, é um fator-chave. "Não é tanto um sinal, uma mensagem, como uma preparação para uma guerra real de grande magnitude", afirmou.

Uma opinião compartilhada pela Otan, que acredita que os exercícios Vostok-2018 "demonstram que a Rússia se concentra na formação de um conflito em grande escala".

"Isso é parte de uma tendência que temos visto há algum tempo: uma Rússia mais segura de si mesma, que aumenta significativamente seu orçamento de defesa e sua presença militar", indicou um porta-voz da Aliança Atlântica, Dylan White.

Preocupações minimizadas pela Rússia. Segundo a porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, "Vostok-2018 está longe da área de responsabilidade da Otan e não altera a segurança de seus Estados-membros".

'Sem alternativa'

Com a acentuada degradação das relações entre Moscou e o Ocidente, a Rússia aumentou seus exercícios militares, do Cáucaso ao Báltico e até no Ártico, enquanto denuncia a expansão da Otan em suas fronteiras, uma ameaça fundamental à sua segurança de acordo com a nova doutrina militar russa adotada em 2014.

As manobras russas no Extremo Oriente foram precedidas de exercícios no Mediterrâneo, de 1 a 8 de setembro, nos quais participaram mais de 25 navios e trinta aviões, em um contexto de fortalecimento da presença russa na Síria, onde intervém militarmente desde 2015.

Também acontecem depois de exercícios militares realizados no início de setembro no oeste da Ucrânia, envolvendo 2.200 soldados ucranianos, americanos e outros membros da Otan.

Fonte: AFP

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