Rússia responsabiliza rebeldes por ataque químico na Síria

"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;..." Mateus 24:6

05 de abril de 2017. 

 

A Rússia responsabiliza os rebeldes pelo ataque químico de terça-feira na Síria. Moscovo afirma que os agentes químicos se encontravam num depósito rebelde que foi atacado pela aviação síria precisamente na terça-feira. Os rebeldes negam as acusações. As potências ocidentais apresentaram já uma resolução contra Bashar al-Assad nas Nações Unidas. O ataque terá provocado mais de uma centena de mortos.

As investigações prosseguem mas parece já não haver muita margem para dúvidas: a Síria voltou a ser atacada com recurso a armas químicas. É o que indicam os relatos que chegam da cidade de Kihan Sheikhoun, em Idlib. 

As imagens que chegam do local mostram civis, muitos deles crianças, asfixiados e a espumar da boca. Jornalistas no local indicam que não havia qualquer cheiro característico, apenas pessoas deitadas no chão, incapazes de se mexerem e com as pupilas contraídas. Não é certo que gás terá sido utilizado, mas poderá ter sido sarin, um gás inodoro, 20 vezes mais mortífero do que cianeto.

Também não é certo quantas pessoas morreram. O Observatório Sírio dos Direitos Humanos aponta para pelo menos 58 mortos, entre as quais 11 crianças. A agência de notícias da oposição síria fala de uma centena de vítimas. Tudo aponta para que este seja o ataque químico mais mortífero desde agosto de 2013, quando centenas de civis morreram num ataque com gás sarin perto de Damasco.

Por agora, segue-se o jogo de troca de culpas que não é novo num conflito que dura desde 2011. O Ocidente aponta o dedo ao regime de Bashar al-Assad, enquanto a Rússia coloca a responsabilidade pelo ataque dos lados dos rebeldes.
Moscovo acusa rebeldes

A Federação Russa acusa os rebeldes pelo ataque com armas químicas. Moscovo – que apoia diplomaticamente e militarmente o regime de Damasco – afirma que os produtos químicos se encontravam num armazém rebelde na província de Idlib. 

O Ministério russo da Defesa admite que a aviação síria concretizou ataques no mesmo dia na cidade de Khan Sheikhoun, e que atacou precisamente o armazém onde alegadamente estavam depositadas substâncias venenosas que seriam usadas pelos rebeldes no Iraque. 

Também o Exército sírio nega a autoria de qualquer ataque com armas químicas, garantindo que nunca o fez nem o fará. 

Os rebeldes negam todas as acusações russas. Um dos comandantes do Exército da Libertação de Idlib garante que não foram atacadas quaisquer posições militares dos rebeldes na terça-feira. Hasan Haj Ali indica mesmo à Reuters que não há posições militares naquele lugar e garante que a oposição síria não consegue produzir armas químicas.

“Toda a gente viu o avião que estava a bombardear com gás”, afirma o comandante rebelde, acusando Moscovo de mentir. 

A posição russa faz antever já novo veto no Conselho de Segurança, que esta quarta-feira discute uma proposta de resolução apresentada por Paris, Londres e Washington. As potências ocidentais apontam o dedo a Bashar al-Assad pelo ataque.
ONU discute resolução

Uma versão de trabalho da resolução, a que a Reuters teve acesso, “expressa indignação pelo facto de indivíduos continuarem a ser mortos e feridos na República Árabe da Síria” e exige que os responsáveis sejam levados à justiça.

As potências ocidentais exigem que o regime sírio permita que seja feita uma investigação internacional a este caso. Paris, Washington e Londres pretendem que as Nações Unidas tenham acesso aos planos de voo de terça-feira, bem como aos dados relativos aos esquadrões de helicópteros do regime. 

A investigação deverá ainda ter acesso às bases militares que poderiam ter sido utilizadas num ataque deste gênero.

Os países proponentes exigem também que o secretário-geral das Nações Unidas reporte mensalmente de que forma o Governo sírio está a cooperar com a investigação internacional e leve a cabo uma investigação ao uso de armas químicas no país.

Resta saber se esta resolução tem qualquer possibilidade de ser viabilizada por Moscovo. A Federação Russa tem direito de veto no Conselho de Segurança, o que tem impedido movimentos contra Bashar al-Assad no principal órgão da ONU. Moscovo – com o apoio de Pequim – apresentou já sete vetos a resoluções contra Damasco. 

Apesar do regime sírio ter acordado destruir o seu arsenal químico em 2013, uma investigação das Nações Unidas e da Organização para a Proibição das Armas Químicas revelou já que Damasco foi responsável por três ataques com gás de cloro em 2014 e 2015. 

O secretário-geral das Nações Unidas falou precisamente à chegada a Bruxelas, onde decorre uma conferência internacional sobre a situação no país. 
Críticas à Administração Trump

O ataque é ainda utilizado pelos próprios rebeldes sírios para atacar a nova Administração norte-americana. A oposição acredita que o bombardeamento foi levado a cabo por Damasco como “consequência direta” das recentes tomadas de posição de Washington. 

O membro da oposição Basma Kodmani refere-se especificamente às declarações do secretário de Estado norte-americano e da embaixadora do país nas Nações Unidas que sugeriram que Bashar al-Assad poderia manter-se no poder. 

Embora com tom menos incisivo, França também alerta para as incoerências que chegam da Casa Branca. O chefe da diplomacia gaulesa considera que este ataque é uma forma de testar a posição norte-americana em relação a Damasco. Jean-Marc Ayrault pede a Washington que clarifique a sua posição quanto ao futuro da Síria e ao lugar que cabe a Bashar al-Assad no país. 

Nos Estados Unidos, a Casa Branca prefere criticar o ex-Presidente Barack Obama. Donald Trump responsabiliza o seu antecessor por não ter cumprido a ameaça e intervindo na Síria quando se tornou claro que Bashar al-Assad tinha usado armas químicas. Apesar de agora criticar Obama, o próprio Donald Trump sempre se mostrou contra qualquer intervenção no país. 
Província de Idlib

A província de Idlib serve atualmente de refúgio a muitos rebeldes. É uma região controlada pelos rebeldes e para a qual fugiram muitos dos que conseguiram resistir à reconquista de Alepo por parte de Damasco.

Idlib serve de casa para rebeldes de todas as fações, desde os nacionalistas do Exército da Libertação da Síria a movimentos jihadistas como a ex-Frente al-Nusra, conotada com a organização Al Qaeda. A região tem sido também alvo de ataques aéreos norte-americanos, que tentam preisamente atacar insurgentes jihadistas

Esta quarta-feira, a província voltou a ser alvo de ataques aéreos. O Observatório Sírio dos Direitos Humanos indica que cinco ataques foram concretizados, sem avançar com números de vítimas e nomes de responsáveis.  

Fonte: RTP

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