Rússia e EUA, as potências que manipulam as cordas do conflito sírio

"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;..." Mateus 24:6

15 de março de 2016.

 

Às vésperas do sexto ano de guerra civil, Estados Unidos e Rússia manipulam as cordas do conflito na Síria, impondo sua vontade aos demais protagonistas e relegando a segundo plano as potências regionais, coincidem vários analistas.

"As duas grandes potências dialogam entre si por telefone em qualquer lugar do mundo e depois vêm informar sobre sua decisão aos seus aliados sírios e (ao emissário da ONU Staffan) de Mistura", explica um veterano da oposição democrática síria, Haytham Manna.

Washington e Moscou impõem "às potências regionais as linhas vermelhas que não devem cruzar", prossegue.

"Os norte-americanos dizem, assim, aos turcos que não devem incursionar na Síria e pedem aos sauditas que não enviem armas. A Rússia faz outro tanto com o Irã", outro grande apoiador do regime de Damasco.

O exemplo mais claro desta cooperação foi a entrada em vigor, em 27 de fevereiro, de uma trégua, que é respeitada globalmente.

"Os Estados Unidos e a Rússia assumiram o comando e o monopólio da questão síria", constatou Joseph Bahout, especialista da região do Centro Carnegie de Washington.

'Últimos árbitros'O conflito, que começou com protestos pacíficos reprimidos pelo regime, "se transformou em uma luta em que estão envolvidos atores locais, regionais e internacionais", explicou Bassel Salloukh, professor de ciência política da Universidade Americana do Líbano (LAU).

"As discórdias geopolíticas e confessionais permitiram que as grandes potências se apresentem como árbitros últimos destes conflitos", explica.

A partir de agora, continua, "o que determinará o futuro da Síria são mais os interesses estratégicos de Rússia e Estados Unidos que as aspirações do povo".

A princípio, os dois países foram reticentes em se envolver em uma contenda tão complicada. Apesar da pressão de seus conselheiros, o presidente americano, Barack Obama, negou-se a uma intervenção direta.

"A ideia de que podemos (...) mudar a equação no terreno nunca foi certa", disse Obama, segundo a revista Atlantic.

Finalmente, foi o grupo extremista Estado Islâmico - mediante as decapitações de reféns ocidentais no verão de 2014 e a conquista fulgurante de boa parte da Síria e do Iraque -, o qual empurrou Washington a agir em ambos os países, à frente de uma ampla coalizão internacional.

No caso da Rússia, foi o enfraquecimento do regime sírio perante os rebeldes a partir da primavera de 2015 que levou o presidente Vladimir Putin a autorizar a campanha aérea iniciada em 30 de setembro passado.

'Os únicos capazes'"Trinta anos depois do fim da Guerra Fria, os únicos capazes de decidir e de agir são Moscou e Washington, como nos bons e velhos tempos", diz Fyodor Lukianov, redator em chefe da revista Russia na política global.

"Os demais não querem ou não podem fazê-lo. Este é o balanço da nova ordem mundial", acrescentou.

"Isto não significa que sejam capazes de resolver todos os problemas, porque na Síria tudo depende das forças regionais e Moscou, como Washington, não as controlam por completo", diz o analista. Mas em qualquer caso, Rússia e Estados Unidos são os únicos capazes de "empurrar as partes em conflito para a paz".

Para isto, não hesitam em pedir ordem a quem seja necessário, como fez o embaixador russo na ONU, Vitali Churkin, com o presidente Assad quando este manifestou, em fevereiro, à AFP, a ambição de reconquistar todo o país.

Segundo Joshua Landis, diretor de estudos sobre o Oriente Médio na Universidade de Oklahoma, "os desacordos ideológicos e territoriais entre os atores locais são muito profundos. Mas todos dependem inteiramente de seus patrocinadores e devem se submeter aos desejos daqueles que os armam".

Fonte: AFP.

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