"Se EUA intervierem, Coreia do Norte vai revidar"

"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;..." Mateus 24:6

03 de abril de 2017. 

 

A Coreia do Norte será um dos temas do primeiro encontro entre os presidentes americano, Donald Trump, e chinês, Xi Jiping, a partir desta quinta-feira (06/04). Às vésperas da reunião, Trump afirmou que os EUA estão prontos para agir sozinhos se Pequim não aumentar a pressão sobre Pyongyang.

Hanns Günther Hilpert, pesquisador especializado em Ásia do instituto alemão SWP, diz que a declaração é uma clara contradição, e que essa estratégia traz consigo riscos militares e políticos consideráveis.

"Se os EUA pudessem resolver o problema sem a ajuda chinesa, Trump não precisaria de modo algum discutir a questão com o presidente Xi", diz Hilpert.

Deutsche Welle: Trump disse que se a China não cooperar para acabar com a ameaça nuclear e de mísseis da Coreia do Norte, os EUA tomarão uma atitude sozinhos. Qual é a sua opinião sobre isso?

Hanns Günther Hilpert: A declaração é uma clara contradição. Se os EUA pudessem resolver o problema da Coreia do Norte sem a ajuda chinesa, Trump não precisaria de modo algum discutir a questão com Xi. Basicamente, os EUA têm várias opções para enfrentar a questão da Coreia do Norte. Mas todas essas alternativas representariam riscos elevados, seriam ineficazes ou não produziriam os resultados desejados.

DW: Quais opções Trump teria caso escolha agir unilateralmente?

HGH: Trump poderia estar pensando em realizar ataques preventivos para destruir o arsenal nuclear e convencional da Coreia do Norte. Mas essa estratégia traz consigo riscos militares e políticos consideráveis. Outra possibilidade é obstruir o enriquecimento de urânio do país, embora não esteja claro se isso pode ser feito ou não. Há também outras opções como a imposição de um bloqueio marítimo, abater um foguete norte-coreano quando estiver no ar ou um aperto adicional do já rigoroso regime de sanções.

DW: Até agora, a Coreia do Norte permaneceu inabalada com as ameaças de Washington. Quais cartas Pyongyang tem para impedir uma intervenção militar liderada pelos EUA?

HGH: Se os EUA intervierem militarmente, há o risco de a Coreia do Norte revidar. Não precisa ser um ataque nuclear, mas pode ser convencional. A fronteira entre o Norte e o Sul está muito próxima da área metropolitana de Seul. O poder de fogo do Norte teria um impacto devastador na capital sul-coreana, levando a um nível elevado e inaceitável de vítimas humanas e destruição material.

DW: Por que os EUA não querem negociar com a Coreia do Norte?

HGH: Em minha opinião, negociar não é uma questão para os EUA. Houve experiências ruins no passado negociando com a Coreia do Norte. E se um acordo fosse feito, ele não seria confiável, porque os norte-coreanos são conhecidos por não respeitar os tratados. Há um série de incentivos para a Coreia do Norte continuar com seu comportamento atual. Na melhor das hipóteses, as negociações podem atrasar o desenvolvimento de armas. É por isso que o governo Trump fala mais sobre sanções do que negociações. Com isso em mente, um retorno às chamadas "negociações entre seis partes" também não ofereceria soluções.

DW: Qual poder tem a China?

HGH: A Coreia do Norte e a China compartilham uma longa fronteira terrestre. O comércio com a China representa 90% das trocas comerciais de Pyongyang. Sem as importações chinesas e sem o uso da fronteira terrestre para a circulação de produtos, a Coreia do Norte enfrentaria problemas econômicos críticos. Assim, vemos como a China pode exercer pressão no médio prazo. O que a China não pode fazer é controlar os eventos que acontecem na Coreia do Norte. Portanto, os chineses também devem lidar com o risco de instabilidade e agitação na Coreia do Norte.

DW: Você espera algum avanço nessas questões durante o encontro entre Xi e Trump?

HGH: Eu estou curioso sobre o que virá dessas conversas, mas agora não é o momento certo para especular.

Fonte; DW

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