Pyongyang faz advertências antes de manobras militares conjuntas entre EUA e Coreia do Sul

"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;..." Mateus 24:6

20 de agosto de 2017.

 

A Coreia do Norte advertiu neste domingo (20) o governo dos Estados Unidos que as manobras militares conjuntas com a Coreia do Sul, que devem começar na segunda-feira (21), apenas "jogarão gasolina na fogueira", em um momento de grande tensão entre Pyongyang e Washington.

Pyongyang realizou dois testes de mísseis balísticos intercontinentais em julho, com a aparente capacidade de atingir boa parte do território dos Estados Unidos. Isso levou o presidente americano americano, Donald Trump, a reagir com a advertência de que Washington poderia responder com "fogo e ira".

O regime norte-coreano ameaçou então lançar mísseis na direção da ilha americana de Guam, no Pacífico. Pouco depois, o dirigente do país, Kim Jong-Un, suspendeu o projeto, mas advertiu que a execução dependeria do comportamento de Washington.

No atual contexto, Coreia do Sul e Estados Unidos iniciarão na segunda os exercícios conjuntos anuais, sob o nome de "Ulchi Freedom Guardian", durante os quais dezenas de milhares de soldados treinarão para proteger o território sul-coreano de um eventual ataque norte-coreano.

A cada ano, Pyongyang, que considera estas manobras uma provocação de um teste para a invasão de seu território, ameaça com represálias militares.

"Estas manobras conjuntas são a expressão mais explícita de sua hostilidade em relação a nós. Ninguém pode garantir que os exercícios não resultem em verdadeiros combates", afirma um editorial do jornal "Rodong Sinmun", do partido único que governa o país.

"Os exercícios militares conjuntos Ulchi Freedom Guardian serão como jogar gasolina na fogueira e agravarão a situação na península", acrescenta.

Com uma advertência contra "a fase incontrolável de uma guerra nuclear", o jornal completa: "Se os Estados Unidos se perderem na fantasia de que uma guerra na península aconteceria na porta de outro, longe deles do outro lado do Pacífico, estão mais equivocados do que nunca".

'Mais grave que nunca'

O Departamento de Estado americano anunciou que a operação Ulchi Freedom Guardian, baseada em simulações por computador, que aconteceu pela primeira vez em 1976 e que leva o nome de um general que defendeu o antigo reino coreano da invasão chinesa, acontecerá este ano como estava previsto.

Washington se negou a informar se o exercício será menor para não exacerbar as tensões, mas o ministério sul-coreano da Defesa anunciou a participação de 17,5 mil soldados, uma redução significativa na comparação com os 25 mil envolvidos nas manobras do ano passado.

De acordo com a agência sul-coreana Yonhap, os dois aliados estudam a pertinência de abandonar o projeto inicial de deslocar dois porta-aviões para perto da península como parte das manobras militares conjuntas.

Paralelamente, o general Jeong Kyeong-Doo, comandante do Estado-Maior das Forças Armadas sul-coreanas, considerou que a situação atual é "mais grave do que nunca". Ele advertiu que Pyongyang que se expõe a graves represálias em caso de ataque.

"Em caso de provocação do inimigo, [nosso exército] tomará medidas de represália fortes e determinadas para fazê-lo lamentar amargamente", disse.

Quando Kim Jong-Un adiou o plano Guam, ele exigiu que Washington interrompesse as "arrogantes provocações" e fez referência aos "enormes materiais estratégicos nucleares" presentes na região.

Fonte: AFP

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