Putin e Erdogan restabelecem relações e discutem posição de Rússia e Turquia sobre Síria

"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;..." Mateus 24:6

10 de agosto de 2016.

Os presidentes de Rússia, Vladimir Putin, e Turquia, Recep Tayyip Erdogan, acordaram nesta terça-feira (09/08) traçar um roteiro para normalizar as relações bilaterais, na primeira visita ao exterior do líder turco desde a tentativa de golpe militar em seu país no dia 15 de julho.

"Hoje definimos o algoritmo dos sucessivos passos e dos objetivos primordiais para o restabelecimento eficaz das relações bilaterais", disse Putin em entrevista coletiva conjunta no Palácio de Constantino, na cidade de São Petersburgo.

O chefe do Kremlin destacou que a reunião com Erdogan "tem grande importância para o futuro das relações" entre Rússia e Turquia, mas admitiu que os dois países têm "um trabalho árduo pela frente para restabelecer a cooperação econômica e comercial".

"Este processo já começou, mas requer tempo", afirmou Putin, que se mostrou disposto a suspender gradualmente as sanções adotadas contra a Turquia e adiantou que os voos charter entre os dois países serão retomados.

O presidente russo destacou que o fato de Erdogan ter decidido viajar à Rússia "apesar da difícil situação política na Turquia (...) mostra o interesse turco em restabelecer a cooperação com a Rússia".

Putin lembrou que, devido à estagnação das relações bilaterais, as trocas comerciais entre os dois países caíram 43% nos primeiros cinco meses deste ano.

Erdogan, por sua vez, ressaltou que tanto Moscou como Ancara têm "vontade política" de levar as relações bilaterais ao nível anterior à crise diplomática provocada pelo derrubada de um caça-bombardeiro russo por parte da Turquia na fronteira síria em novembro de 2015.

"Espero que, como resultado desses passos, encontremos um 'Eixo de Amizade", destacou o líder turco.

Erdogan também reiterou a importância que teve o "apoio moral" que o líder russo lhe ofereceu ao conversar com ele por telefone no dia seguinte ao levante militar de 15 de julho.

"Hoje, eu e meu querido amigo Vladimir Putin apresentamos posições similares em busca da normalização de relações. Devemos aproveitar o potencial que nossos países possuem em prol da estabilidade na região", disse o presidente turco.

Erdogan se mostrou disposto a apoiar o reatamento de projetos "extremamente importantes" como o gasoduto Turkish Stream, que fornecerá gás russo para a Turquia através do Mar Negro, e a construção da primeira usina nuclear turca de Akkuyu.

A cúpula entre Rússia e Turquia foi estipulada depois que Erdogan pediu perdão no fim de junho pela derrubada de um caça russo em novembro de 2015, na fronteira entre a Turquia e a Síria, o que causou a morte do oficial russo que pilotava a aeronave.

Reunião sobre a Síria

Putin e Erdogan disseram à imprensa que manteriam uma reunião extraordinária ainda nesta terça-feira para tentar aproximar suas posições sobre o conflito na Síria, o assunto que mais causa divisões entre os governos russo e turco.

"Todos sabem que nossas posições nem sempre coincidiram no assunto sírio. Decidimos nos reunir depois com nossos ministros das Relações Exteriores e representantes dos serviços de inteligência. Trocaremos informações e buscaremos soluções", disse Putin.

"Acredito que o consenso é possível. Mas porque temos o objetivo comum de resolver o conflito sírio. Sobre essa base, buscaremos soluções comuns aceitáveis para todos", acrescentou o presidente russo.

A Turquia, ao lado de Arábia Saudita e vários países ocidentais, é um dos opositores mais ferrenhos do presidente sírio Bashar al Assad e considera que sua renúncia é inegociável para avançar rumo à transição política no país árabe.

O Kremlin, com Putin à frente, se nega a exigir a renúncia de seu aliado e sustenta que seu futuro deve ser decidido através de eleições.

"Nós na Rússia já falamos sobre as reformas políticas (na Síria). Mas acreditamos que as reformas só podem ser alcançadas por meios democráticos. Essa é nossa postura irrenunciável", disse hoje Putin, em aparente alusão de que o destino de Assad deverá ser decidido pelo povo sírio.

A intervenção militar de Moscou no conflito sírio – que salvou o regime de Assad e permitiu que ele recuperasse terreno na luta contra a oposição armada – foi recebida com duras críticas pela Turquia, que não hesitou em derrubar um avião de combate russo em novembro de 2015, acusando-o de invadir o espaço aéreo turco.

Fonte: EFE.

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