Próxima rodada de negociações sobre Síria será 'crucial', afirma De Mistura

"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;..." Mateus 24:6

12 de abril de 2016.

O emissário da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, disse nesta segunda-feira (11), em Damasco, que a próxima rodada de negociações em Genebra será crucial para encontrar uma solução política ao conflito sírio.

Os diálogos indiretos entre representantes do regime e da oposição serão retomados na quarta-feira em Genebra, onde foi realizada a rodada anterior, entre 14 e 24 de março.

"A próxima rodada de negociações em Genebra será crucial, já que nos concentraremos na transição política, na governança e nos princípios constitucionais", disse De Mistura à imprensa, após um encontro com o chefe da diplomacia síria, Walid Muallem.

"Esperamos e temos a intenção de que (os diálogos) sejam construtivos e concretos", acrescentou.

A oposição pede a formação de um corpo executivo, do qual seria excluído o presidente Bashar al-Assad, enquanto o regime quer um governo amplo, com a presença de membros da oposição, mas sob a presidência de Assad.

Segundo a agência oficial Sana, Muallem confirmou que a delegação governamental estava pronta para esta nova rodada.

O ministro "reafirmou durante seu encontro com De Mistura a posição síria sobre a solução política para a atual crise e o envolvimento (do regime) no diálogo sírio, dirigido pelos sírios, sem pré-condições", indicou a agência.

De Mistura também abordou com seu interlocutor o frágil cessar-fogo em vigor desde 27 de fevereiro.

"Falamos sobre a importância de proteger e manter o fim das hostilidades, que talvez seja frágil, mas existe. Devemos garantir que prossiga", disse o emissário.

Ambos responsáveis falaram também sobre o acesso às localidades sitiadas e a ajuda humanitária. Saudaram o trabalho do Programa Mundial de Alimentos (PAM), que forneceu no domingo por via aérea suprimentos a 200 mil pessoas cercadas pelo grupo Estado Islâmico (EI) na cidade de Deir Ezzor.

Esta trégua, apoiada por Estados Unidos e Rússia, não inclui as duas organizações jihadistas, a Frente Al-Nosra, braço sírio da Al-Qaeda, e o EI.

Ofensivas sincronizadas
O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) advertiu, nesta segunda, que a ofensiva dos jihadistas no norte, no centro e na região costeira da Síria colocam a trégua em perigo.

"A Frente Al-Nosra, aliada a grupos rebeldes, está realizando três ofensivas sincronizadas" nas províncias de Aleppo (norte), Hama (centro) e Latakia (noroeste), informou à AFP o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

O general Serguei Rudskoi, um alto oficial do Estado-Maior russo, disse que o objetivo da Frente Al-Nosra é cortar a rota entre Aleppo e Damasco.

"Se não impedirmos as ações dos terroristas, então o norte da Síria pode voltar a ficar sitiado. Todas as ações do exército sírio e da aviação russa estão dirigidas a frear os planos da Al-Nosra. Contudo, não está previsto ataque contra Aleppo", completou o militar.

Contudo, os Estados Unidos expressaram sua preocupação que um eventual ataque do exército sírio, ajudado pelas forças russas, gere mais ataques contra facções moderadas, fazendo naufragar a trégua e as negociações de paz.

"Nós estamos muito, muito preocupados sobre o recente aumento da violência. E isso inclui ações que nós acreditamos estarem em contradição com o cessar das hostilidades", declarou o porta-voz do Departamento de Estado, Mark Toner.

Por sua parte, o grupo Estado Islâmico recuperou o controle de Al Rai, um valioso posto fronteiriço com a Turquia, do qual havia sido expulso na semana passada pelos rebeldes, informou a ONG.

"Não interessa nem à Frente Al-Nosra e nem ao EI um cessar-fogo ou uma solução pacífica para a guerra na Síria, porque isso eliminaria seu papel", destacou Rahman.

Fonte: AFP.

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