Portugal integra forças da OTAN junto da fronteira russa

"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;..." Mateus 24:6

13 de junho de 2016.

Sendo um dos países fundadores da OTAN, Portugal não tem, há alguns anos, nenhuma discussão pública sobre esta aliança militar, assumido pelos principais partidos políticos portugueses, que se têm substituído no governo ao logo dos 42 anos de democracia, como uma fonte indiscutível de crédito a nível internacional.

É essa a opinião de António Vitorino, Ministro da Defesa nos anos 1990, que promoveu a primeira missão portuguesa sob os desígnios da OTAN, na Bósnia e Herzegovina. Para Vitorino, o sucesso dessa e das seguintes missões reforçaram a ideia de Portugal como um elemento participante na defesa da Europa, parte fundamental da diplomacia portuguesa no estrangeiro.

Aliás, Luís Tomé, professor universitário, reforça mesmo que o prestígio de Portugal sai reforçado com estas participações, com 34 mil militares portugueses envolvidos ao longo destes vinte anos em diferentes missões, um "instrumento fabuloso do soft power português".

Momento delicado na fronteira da Federação Russa

Enquanto António Vitorino refere o compromisso de Portugal com a estabilidade na Europa, Luís Tomé afirma que se vive "um momento delicado no relacionamento com a Rússia", algo que afeta a segurança dos países na fronteira da OTAN a leste. Para este especialista em relações internacionais, "a Rússia é a principal ameaça", com um dispositivo "militar e nuclear que motiva o chamado chapéu antinuclear americano". Também o atual Ministro da Defesa português, Augusto Santos Silva, encara a necessidade de demonstração de firmeza, seja "na condenação da anexação da Crimeia", seja “na segurança de todos os membros da OTAN que tenham fronteiras com a Federação Russa”.

É nesta linha que se entende a participação de Portugal na força militar da OTAN presente na Lituânia com quatro aeronaves F-16 MLU e 89 militares. Segundo o que consta na página oficial do Estado-Maior-General das Forças Armadas portuguesas, esta missão visa dissuadir e enfrentar as ameaças aos membros da OTAN, sublinhando que "uma presença contínua em terra, no ar e no mar, associada a uma atividade militar significativa, fornece as garantias necessárias para demonstrar a determinação da Aliança, bem como a sua natureza defensiva".

Forçar a paz fazendo a guerra

As ações onde os militares portugueses estão envolvidos são vistos como um "frenesim belicista" por Luís Carapinha, da Secção Internacional do Partido Comunista Português, força política com assento no Parlamento português que tem sido vigorosa e constantemente contra a presença de Portugal na OTAN.

Para este analista, "o estado de crescente alvoroço militar na frente leste, vizinha da fronteira com a Federação Russa", visa aniquilar a capacidade militar preventiva da Rússia e da China no plano mundial. 

É que o desequilíbrio de forças e das análises feitas à participação portuguesa nestas missões acaba por envolver o povo português num esforço de guerra que lhe é alheio. A mudança de paradigma elaborada há 20 anos, quando os esforços internacionais de Portugal se deixaram de fazer sob o insígnia da ONU para se fazerem ao serviço dos interesses da OTAN, levam a que estejamos perante uma substituição de ações de paz por ações de guerra.

Curiosamente, António Vitorino expressou no seu depoimento à Rádio e Televisão Portuguesa, que "uma parte importante destas participações é feita através da comunicação social", sobretudo "na maneira como se chega à opinião pública".

Ora, uma opinião pública que apenas tem acesso a um dos lados da história é, fundamentalmente, uma opinião pública que ignora as reais dimensões dos problemas que tem pela frente. É nesse campo que paz e guerra se confundem e, em última análise, precisam ser destrinçadas para que entendamos a natureza e as consequências destas ações.

A opinião do autor pode não coincidir com a opinião da redação da Sputnik Brasil

Fonte: Sputnik.

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