Poderiam os EUA combater 'em duas frentes' contra Rússia e China?

"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;..." Mateus 24:6

28 de agosto de 2016.

 

O colunista da revista The National Interest Robert Farley imaginou como poderia se desenvolver um conflito dos EUA simultaneamente com seus dois principais adversários - a Rússia e a China.

No final da década passada Washington desistiu da chamada doutrina de duas guerras, considerada por especialistas como o esquema padrão para garantir os meios necessários para a realização de duas operações, assinala o analista. Essa estratégia era dirigida à contenção simultânea da Coreia do Norte e a uma confrontação com o Irã ou o Iraque.

A situação internacional mudou e essa doutrina teve de ser rejeitada. No entanto, o poderio crescente da China, juntamente com o aumento de interação entre Moscou e Pequim, levantam a questão importante se Washington seria hoje capaz de enfrentar ações coordenadas de seus adversários no Pacífico e na Europa, considera o observador.

Farley opina que, no caso de essa "guerra dupla" começar, os EUA terão de agir da mesma forma que na época da Segunda Guerra Mundial. O palco de batalha na Europa seria da responsabilidade das tropas terrestres do exército dos EUA, enquanto a marinha norte-americana se encarregaria das manobras no Pacífico. A Força Aérea norte-americana (aviação do longo alcance e bombardeiros invisíveis) desempenharia um papel auxiliar em ambos os teatros de operações, e as forças nucleares dos EUA forneceriam proteção caso a Rússia decidisse usar armas nucleares táticas ou estratégicas.

De acordo com Farley, as capacidades de Moscou para uma guerra com OTAN no Atlântico do Norte são muito limitadas e, além disso, a Rússia provavelmente não estará politicamente interessada nisso. Portanto, a maior parte dos porta-aviões, submarinos e navios de superfície estaria concentrada na área nos oceanos Índico e Pacífico. Isso permitiria aos EUA atacarem diretamente a "bolha chinesa A2/AD" (o sistema de restrição e bloqueio de acesso) e barrar a Pequim suas rotas marítimas de trânsito de mercadorias.

Os EUA encontrarão sérias dificuldades no teatro do Pacífico caso o Japão ou a Índia tenham interesses no mar do Sul da China.

"A estrutura da aliança, em cada conflito em concreto, dependeria de suas características. O principal alvo de ataques da China poderiam se tornar Filipinas, Vietnã, Coreia do Sul, Japão ou Taiwan. Os restantes [aliados dos EUA no Pacífico] provavelmente prefeririam observar de fora. Neste caso, os Estados Unidos estariam sob pressão adicional — no Pacífico ocidental eles poderiam contar apenas com eles mesmos", escreve o colunista do NI.

O analista pressupõe que Washington seria capaz de participar de duas guerras em duas frentes de combate devido ao poderio de seu exército e do poderio da Aliança Atlântica. No entanto, tal situação não permanecerá para sempre e os EUA não poderão preservar sua supremacia a esse nível "até ao infinito".

Fonte: Sputnik.

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