Opinião: Contra a Rússia, a Europa se rearma

"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;..." Mateus 24:6

07 de abril de 2016.

Os militares da Europa Ocidental devem algo a Vladimir Putin: o presidente russo deu um basta ao corte contínuo dos gastos militares no Velho Continente. Os acontecimentos na Ucrânia, como a intervenção do Exército russo na Crimeia e no Donbass, anunciaram o fim de um desarmamento europeu contínuo que vinha ocorrendo há quase 20 anos, e era ainda mais estranho pelo fato de que os "outros", desde a Rússia até o Oriente Médio, passando pela China e pelos Estados Unidos, vinham se rearmando continuamente.

Em um sinal de prudência, num mundo cuja volatilidade estratégica já foi provada, infelizmente, as Forças Armadas europeias não são mais os principais alvos das políticas de restrição orçamentária dos aliados dos Estados Unidos dentro da Otan.

Essa mudança foi registrada de maneira bem nítida no último relatório, publicado na última terça-feira (5), do Instituto Internacional de Pesquisa sobre a Paz de Estocolmo (Sipri). Ela marca uma ruptura com anos de uma queda "histórica" de efetivos e de recursos das forças armadas europeias desde a queda do Muro de Berlim, em 1989.

Essa evolução é o reflexo de um cenário estratégico cada vez mais desestabilizado na União Europeia (UE), quer se trate da Ucrânia, das gesticulações militares russas junto aos Estados Bálticos, de um Oriente Médio mergulhado há muito tempo no caos da guerra ou de uma África saheliana corroída pelo banditismo islâmico.

Mas o perigo também é interno, com os repetidos atentados jihadistas que têm a Europa como palco, de Madri a Bruxelas, passando por Londres e Paris. Desde o início do século 21, o acúmulo de ameaças nunca teve um perfil tão multiforme como agora.

Naturalmente, os vizinhos imediatos da Rússia, que já partiam de muito baixo, foram aqueles cujo esforço de defesa mais cresceu em 2015: +22% no Orçamento militar polonês, +6% para a Estônia, +14% para a Letônia, +33% para a Lituânia. São Exércitos minúsculos. Mais significativa foi a interrupção do desarmamento contínuo na Alemanha e, mais ainda, na França e no Reino Unido, as únicas potências militares europeias operacionais.

As forças britânicas, alvos preferidos dos conservadores de David Cameron, registraram quedas recordes, com um Exército hoje reduzido a 82 mil homens, ou seja, o mesmo nível da época da batalha de Waterloo em 1815 (que eles venceram, diga-se de passagem).

Mas o clima era igualmente de "Ursinhos Carinhosos" em Paris, onde durante os cinco anos de mandato de Nicolas Sarkozy, assim como nos três primeiros do governo de François Hollande, as Forças Armadas sofreram contínuos cortes orçamentários.

A tendência se reverteu em Londres, em Paris e em Berlim, no mínimo estabilizando e protegendo os orçamentos das forças armadas que, no caso da França, por exemplo, estavam em superatividade em várias frentes, seja em termos de homens ou de equipamentos.

Com a contradição flagrante ressaltada recentemente pelo general Vincent Desportes, o ex-diretor da Escola de Guerra: no momento em que o governo decidia uma política externa extraordinariamente ativa, com intervenção na África e no Oriente Médio contra o jihadismo, especialmente, ele cortava o Orçamento da Defesa. Os europeus estão reaprendendo então esta verdade: acontece de a História ser trágica.

Fonte: Le Monde.

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