O temor de um possível atentado nuclear pelo Estado Islâmico tem fundamento?

"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;..." Mateus 24:6

03 de abril de 2016.

Os últimos ataques realizados pelo grupo que se autodenomina Estado Islâmico têm demonstrado que os extremistas buscam causar cada vez mais impacto em suas ações. As explosões em aeroportos, estações de metrô e trens já deixaram centenas de mortos entre o ano passado e este ano e espalharam o medo por algumas das principais cidades da Europa.

Mas no momento o que as forças de segurança estão temendo mais é algo ainda pior: um ataque nuclear do EI.

A Cúpula sobre Segurança Nuclear que começou na quinta-feira em Washington teve pela primeira vez uma sessão especial para falar sobre possíveis ataques terroristas nucleares em cidades.

O presidente americano, Barack Obama, afirmou que o mundo tomou medidas "concretas" para evitar o terrorismo nuclear. Mas, para Obama, a possbilidade de o Estado Islâmico obter uma arma nuclear é "uma das maiores ameaças à segurança global".

Em novembro do ano passado o grupo atacou uma casa de shows, um estádio de futebol e uma região cheia de restaurantes em Paris, causando a morte de 130 pessoas.

Neste ano os alvos foram o aeroporto de Bruxelas e uma estação de metrô na capital belga. Mas o medo é que a escalada do terror agora se torne maior e que o próximo passo do grupo extremista seja um ataque nuclear, o que multiplicaria o número de vítimas e os danos.

"Sabemos que as organizações terroristas buscam acesso a esses materiais nucleares e que têm um dispositivo nuclear", reconheceu nesta semana Ben Rhodes, conselheiro de Segurança Nacional do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

Dispor de material nuclear pode ser a última barreira – e a mais complexa – para as organizações extremistas.

Os governos e os especialistas temem, porém, que esse obstáculo possa ser superado em breve.

Mas seria isso apenas um alerta ou existe um risco real de um ataque nuclear do grupo?

Sem evidência direta

"Há um risco autêntico mas acredito que não deveríamos entrar em pânico", disse à BBC Matthew Bunn, especialista em terrorismo nuclear e professor da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

A Al-Qaeda contava com um departamento dedicado a conseguir uma arma nuclear ou material radioativo para um dispositivo mais convencional. Agora a ameaça vem do EI.

Segundo Bunn, "não há evidências diretas" de que o Estado Islâmico tenha isso em seus planos. Nem o governo dos Estados Unidos acredita ter provas disso. Mas "há indicadores preocupantes", de acordo com Bunn.

O recente atentado de Bruxelas serviu para lembrar que houve ações perturbadoras em matéria nuclear no país europeu.

Em 2012 dois empregados da central nuclear de Doel, no norte do país, deixaram seus postos de trabalho e se uniram aos EI na Síria.

Em agosto de 2014 alguém com acesso à planta de Doel drenou o lubrificante da turbina do reator, algo que causou um superaquecimento.

A consequência: perdas financeiras de US$ 100 e US$ 200 milhões, algo que coloca esse episódio como uma das maiores sabotagens financeiras da história. O culpado e o motivo que o levou a fazer isso ainda são um mistério.

Mais recentemente, em novembro de 2015, a polícia belga descobriu que a célula terrorista que realizou os ataques de Paris conseguiu um alto cargo de uma central belga com acesso a materiais nucleares e radioativos, incluindo urânio enriquecido suficiente para produzir várias bombas nucleares.

As autoridades acreditam que os autores da operação de vigilância foram os dois irmãos que se explodiram em março no aeroporto de Bruxelas.

Preocupação

Os atentados no metrô e no aeroporto da capital belga elevaram a preocupação de que o EI esteja planejando um ataque nuclear.

As autoridades restringiram o acesso a trabalhadores e reforçaram a segurança das instalações nucleares depois dos ataques. Mas as dúvidas dos governos estrangeiros sobre as falhas policiais e de inteligência que ficaram evidentes depois dos ataques na Bélgica continuam.

 

"Está claro que existe uma ameaça e que ela tem aumentado nos últimos meses", afirma à BBC Carl Robichaud, especialista em segurança nuclear da Fundação Carnegie pela Paz Internacional, com sede em Nova York.

Os riscos são variados: os extremistas poderiam roubar uma arma nuclear de algum dos países que as tem, sabotar uma central, colocar um explosivo em uma instalação ou roubar o material radioativo de uso civil para fabricar a chamada "bomba suja".

A Cúpula de Segurança Nuclear de Washington busca evitar que esse material caia nas mãos de radicais.

A Iniciativa da Ameaça Nuclear, com sede nos Estados Unidos, publicou recentemente uma nota em que garante que muitas fontes radioativas "não estão muito seguras e estão suscetíveis a serem roubadas".

Segundo o governo americano, "cerca de 200 toneladas de material utilizável para armas nucleares – como urânio enriquecido e plutônio – estão presentes tanto em programas civis, como em militares."

"Sabemos que os terroristas têm a intenção e a capacidade de transformar esse material em um dispositivo nuclear", ressaltou.

'Um grande passo'

Um dispositivo nuclear improvisado poderia ser tão devastador como uma explosão nuclear – nesse caso, os danos poderiam até ser menores, mas ele seria igualmente perigoso.

"Imagine que tivessem usado algo assim no aeroporto de Bruxelas ou no porto de Rotterdam (Holanda), com todos os produtos que chegam ali", afirmou Carl Robichaud, que considera os ataques a Bruxelas como uma "chamada de atenção" às potências mundiais.

Ainda que não existam evidências diretas de que o EI esteja tentando colocar em prática esse plano, Bunn alerta para o perigo que isso representaria.

"Há mais gente, mais dinheiro, mais territórios sob o seu controle e uma capacidade maior de recrutar especialistas em todo o mundo do que Al-Qaeda jamais teve", afirmou o especialista da Universidade de Harvard.

Dada a disposição dos jihadistas para realizar ataques em grandes cidades e causar o maior dano possível, um atentado desse tipo "mudaria a história de maneira dramática", afirmou.

'Ideologia apocalíptica'

Muitos não ficariam surpresos se eles chegassem tão longe assim.

"O EI tem uma ideologia apocalíptica e acredita que vai haver uma batalha final com o Ocidente", afirma Matthew Bunn.

Por isso, é possível que recorra às armas mais poderosas possíveis, segundo o especialista.

Os Estados Unidos buscam aproveitar o momento atual "alarmante" para reforçar os protocolos de segurança.

"O primeiro passo para evitar um perigo é reconhecê-lo", afirma Carl Robichaud, da Fundação Carnegie.

E, por isso, os governos já contemplam os piores cenários.

"Um ataque terrorista com um dispositivo nuclear improvisado criaria o caos político, econômico, social e ambiental em todo o mundo, não importa onde ocorram", alertou nesta semana o governo dos Estados Unidos.

Fonte: BBC.

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