O que é a 'Teoria do Louco' que Trump pode estar usando com a Coreia do Norte - e quais são seus riscos

"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;..." Mateus 24:6

26 de setembro de 2017.

Muitos acreditam que o presidente dos EUA, Donald Trump, usa a "Teoria do Louco" ("Madman Theory", em inglês) para lidar com a Coreia do Norte. Se isso for verdade, o fato de ter sido chamado de "mentalmente perturbado" pelo líder norte-coreano Kim Jong-um pode ter representado uma conquista para o líder americano.

A ideia da "Teoria do Louco" é se colocar como alguém imprevisível ou disposto a encarar um enfrentamento a qualquer custo na tentativa de dissuadir o inimigo. Se um dos lados acredita genuinamente que o outro é capaz dar início a um combate, pode ceder às demandas dele para evitar o pior, como, por exemplo, um ataque nuclear.

A "Teoria do Louco" prevê que o comportamento supostamente irracional seja deliberado, ou seja, o comportamento supostamente imprevisível - que passa a impressão de que uma loucura pode ser cometida a qualquer momento - não é verdadeiro, mas crível o suficiente para enganar o lado oposto. Assim, nunca se sabe ao certo se a pessoa está se passando por louca ou se realmente é um indivíduo instável.

As especulações de que Trump tenha seguido essa estratégia em sua política externa surgiram antes mesmo dele assumir a Presidência dos EUA em janeiro. Ainda durante a campanha, ele lançou mão da carta da imprevisibilidade ao se posicionar sobre temas internacionais.

"Temos que ser imprevisíveis", respondeu Trump no ano passado, quando o jornal 'The Washington Post' lhe perguntou sobre o que pretendia fazer em relação à expansão chinesa. "Somos muito previsíveis, e o previsível é ruim."

Mas as suspeitas de que Trump aplica a Teoria do Louco na política externa aumentaram no mês passado, quando prometeu responder com "fogo e fúria" a ameaças Coreia do Norte.

Os motivos para acreditar que o norte-americano é adepto da estratégia da imprevisibilidade ganharam ainda mais força esta semana quando Trump foi à Assembleia Geral das Nações Unidas e disse que os EUA estão preparados para "destruir totalmente" a Coreia do Norte.

No sábado, um dia após o segundo lançamento, pelo regime de Kim Jong-un, de um míssil intercontinental, a tensão escalou quando bombardeiros B-1B americanos, escoltados por jatos de combate, sobrevoaram a península coreana - no que o Pentágono classificou de "demonstração de força".

Mas será que Donald Trump realmente quer que Pyongyang o veja como louco? Qual o risco de enfrentar um regime tão fechado que alega ter armas nucleares?

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A imagem do ex-presidente Richard Nixon (1969-1974) há anos é associada à Teoria do Louco. Ele foi o primeiro presidente dos EUA a quem se atribuiu o uso da estratégia, supostamente para intimidar a União Soviética e também a Coreia do Norte. A ideia era fazer com que os membros do bloco comunista pensassem que o então presidente americano era inconstante e irracional.

H.R. Haldeman, que foi chefe de gabinete de Nixon, escreveu que o ex-presidente lhe falou sobre a teoria quando disse querer que os vietnamitas do norte pensassem que ele poderia fazer "qualquer coisa" para por um fim à Guerra do Vietnã, sabendo que tinha nas mãos o "botão nuclear".

Trump tem salientado que também controla ferramenta similar. Fez isso no dia seguinte ao comentário em que prometeu "fogo e fúria", palavras que integrantes do governo norte-americano descreveram como espontâneas.

"Temos que ser imprevisíveis", respondeu Trump no ano passado, quando o jornal 'The Washington Post' lhe perguntou sobre o que pretendia fazer em relação à expansão chinesa. "Somos muito previsíveis, e o previsível é ruim."

Mas as suspeitas de que Trump aplica a Teoria do Louco na política externa aumentaram no mês passado, quando prometeu responder com "fogo e fúria" a ameaças Coreia do Norte.

Os motivos para acreditar que o norte-americano é adepto da estratégia da imprevisibilidade ganharam ainda mais força esta semana quando Trump foi à Assembleia Geral das Nações Unidas e disse que os EUA estão preparados para "destruir totalmente" a Coreia do Norte.

No sábado, um dia após o segundo lançamento, pelo regime de Kim Jong-un, de um míssil intercontinental, a tensão escalou quando bombardeiros B-1B americanos, escoltados por jatos de combate, sobrevoaram a península coreana - no que o Pentágono classificou de "demonstração de força".

Mas será que Donald Trump realmente quer que Pyongyang o veja como louco? Qual o risco de enfrentar um regime tão fechado que alega ter armas nucleares?

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A imagem do ex-presidente Richard Nixon (1969-1974) há anos é associada à Teoria do Louco. Ele foi o primeiro presidente dos EUA a quem se atribuiu o uso da estratégia, supostamente para intimidar a União Soviética e também a Coreia do Norte. A ideia era fazer com que os membros do bloco comunista pensassem que o então presidente americano era inconstante e irracional.

H.R. Haldeman, que foi chefe de gabinete de Nixon, escreveu que o ex-presidente lhe falou sobre a teoria quando disse querer que os vietnamitas do norte pensassem que ele poderia fazer "qualquer coisa" para por um fim à Guerra do Vietnã, sabendo que tinha nas mãos o "botão nuclear".

Trump tem salientado que também controla ferramenta similar. Fez isso no dia seguinte ao comentário em que prometeu "fogo e fúria", palavras que integrantes do governo norte-americano descreveram como espontâneas.

No entanto, outros o veem de forma diferente.

"Kim Jong-um não é um louco, é muito calculista", disse Howard Stoffer, especialista em segurança nacional que trabalhou por 25 anos no serviço diplomático dos EUA. "Lança comunicados que são bombásticos e beligerantes, mas ele não lançou mísseis contra os Estados Unidos ou a Coreia do Sul."

 

Na sua opinião, falar duro e ser imprevisível quando se tem um cargo com tantas responsabilidades vai contra os interesses globais.

"É uma lógica de rua, que funciona quando você é um garoto do bairro e há gangues. Isso não funciona na diplomacia internacional", disse Stoffer à BBC Mundo. "O mundo funciona se tiver estabilidade e todos são previsíveis."

Fonte: BBC

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