Frota russa em direcção à Síria faz temer reforço dos ataques em Alepo

"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;..." Mateus 24:6

22 de outubro de 2016.

 

Os países da NATO receiam que a frota russa que sexta-feira atravessou o Canal da Mancha, vigiada de perto por navios britânicos, vá aumentar o poder de fogo de Moscovo na guerra da Síria, reforçando os já muito duros bombardeamentos sobre Alepo.

A preocupação ficou clara nas palavras, quinta-feira, do secretário-geral da Aliança Atlântica, Jens Stoltenberg, ao admitir que o envio do porta-aviões Kuznetsov e dos navios que o acompanham “não é uma movimentação habitual” através de águas internacionais. “O que nos preocupa é que esta escolta naval possa ser utilizada para participar nas operações militares sobre a Síria e para aumentar os ataques sobre Alepo”. O Kuznetsov, o único porta-aviões da Marinha russa, tem capacidade para 40 caças, tantos quanto Moscovo tem atualmente na Síria.

Na grande cidade do Norte da Síria, a calma reina pelo terceiro dia consecutivo, depois de Moscovo ter anunciado uma "pausa humanitária" nos bombardeamentos, que incluía corredores para a saída de feridos e de quem quisesse abandonar as zonas cercadas, nos bairros do Leste. Inicialmente prevista durar apenas um dia, foi já prolongada por duas vezes, devendo expirar ao cair da noite deste sábado.

O destino da frota é o porto de Tartus, elevado nas últimas semanas à categoria de base naval permanente da Rússia no Mediterrâneo, na mesma altura em que Moscovo acordou com o Presidente sírio, Bashar al-Assad, o uso da base aérea de Khmeimim, de onde têm partido os aviões envolvidos nos ataques contra as forças que lutam contra o regime de Damasco – a rebelião síria, sobretudo em Alepo, e os extremistas do autoproclamado Estado Islâmico, no Norte e Leste da Síria.

A passagem da frota é considerada uma das maiores exibições navais russas desde o final da Guerra Fria pelas costas da Europa ocidental, numa exibição do poderio militar que os países da NATO, incluindo Portugal, prometem seguir de perto. O acompanhamento, acrescentou Stoltenberg, será feito “de forma responsável e proporcional, como sempre, porque é assim que acompanhamos as atividades militares russas”.

Jonathan Eyal, director de Estudos de Segurança Internacional do Royal United Services Institute, em Londres, disse ao jornal Washington Post que a travessia do Canal da Mancha – na mesma altura em que em Bruxelas os líderes europeus discutiam a possibilidade de aplicar sanções a Moscovo por causa dos ataques aéreos em Alepo – destinou-se a mostrar claramente aos europeus que “os russos estão de volta” e “tudo o que vocês fazem nós também fazemos”.

O historiador Paul Beaver disse à BBC que houve "uma grande quantidade de teatralização” na passagem do porta-aviões pelo Canal da Mancha, uma vez que o caminho mais frequente (e mais curto) para os navios russos em direção ao Mediterrâneo é o que contorna os países escandinavos e depois as ilhas britânicas, passando a norte da Escócia e da Irlanda.

Fonte: Público.

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