Exército iraquiano diz que reconquista de Mossul está iminente, jihadistas prometem "luta até à morte"

"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;..." Mateus 24:6

08 de julho de 2017.

 

Os combatentes do grupo jihadista do Estado Islâmico em Mossul disseram este sábado que vão "lutar até à morte" perante o avanço das tropas iraquianas, que dizem que a reconquista da cidade está iminente.

Dezenas de soldados iraquianos já celebram a vitória entre os escombros nas margens do rio Tigre, não tendo esperado pela declaração de vitória — alguns dançaram ao som de música do rádio de um camião e dispararam para o ar, testemunhou a Reuters.

O ambiente era menos festivo entre os habitantes de Mossul deslocados devido aos combates, muitos deles a viverem em campos nos arredores da cidade sem nada que os proteja do calor abrasador.

"Se não houver reconstrução e as pessoas não puderem voltar às suas suas casas, recuperando os seus pertences, qual é o sentido desta libertação?", perguntou Mohammed Haji Ahmed, de 43 anos, comerciante de roupa que está no campo Hassan Sham, a leste de Mossul.

Um porta-voz militar dissera na parte da manhã que as linhas de defesa do Estado Islâmico tinham caído, segundo a televisão estatal iraquiana. "Estamos nos últimos metros, e depois a vitória final será anunciada", disse um pivot da televisão, citando jornalistas que acompanham as forças que combatem os jihadistas na Cidade Velha, junto ao Tigre. "É uma questão de horas", acrescentou.

A agência de notícias do Estado Islâmico, a Amaq, avançou por seu lado que se travavam "combates ferozes" junto aos bairros ribeirinhos de Mossul e garantiu que os combatentes estavam a "conseguir manter as suas suas posições". "Os combatentes estão todos a comprometer-se a [lutar] até à morte em Maydan [a zona central da Cidade Velha]", dizia um texto que a Amaq pôs em linha.

Ouviam-se explosões e tiros na tarde deste sábado e uma coluna de fumo pairava sobre a Cidade Velha, tomada pelo Estado Islâmico em 2014. Há três anos, o líder do grupo, Abu Bakr al-Baghdadi, declarou em Mossul o "califado" nos territórios conquistados pelo grupo no Iraque e na Síria.

Neste sábado, dezenas de combatentes islamistas morreram e outros tentaram fugir de Mossul nadando para a outra margem do Tigre, disse a televisão estatal. A maior parte deles, especificava a televisão, eram combatentes estrangeiros.

Os comandantes iraquianos dizem que os os jihadistas estão a lutar para manter o controlo de alguns metros quadrados, usando atiradores furtivos, granadas e bombistas suicidas. O exército realizava buscas casa a casa nas ruas estreitas da Cidade Velha, receando-se que existam explosivos.

"A batalha atingiu a fase da caça aos insurgentes que ainda permanecem nas casas", disseram em comunicado os militares iraquianos. "Alguns membros do Estado Islâmico renderam-se".

Os meses de guerra obrigaram 900 mil pessoas a sair das suas casas — cerca de metade da população que a cidade tinha antes da guerra. Milhares de civis morreram.

A reconquista de Mossul reduzirá o domínio do Estado Islâmico a algumas zonas rurais e desérticas a oeste e sul da cidade.

A queda de Mossul vai expôr o sectarismo religioso e étnico entre árabes e curdos nos territórios disputados, e entre sunitas e a maioria xiita. Nas celebrações de vitória alguns soldados iraquianos tinham imagens de Hussein, o neto do profeta Maomé que é venerado pelos xiitas.

Mossul era, antes da guerra, uma cidade de maioria sunita e as autoridades diziam que era marginalizada pelo governo liderado pelos sunitas que chegou ao poder depois da invasão dos Estados Unidos, em 2003.

Fonte: Público

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