Especialista militar turco: objetivos políticos dos EUA na Síria não estão claros

"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;..." Mateus 24:6

02 de dezembro de 2016.

 

A posição do Ocidente tem sofrido alterações nas últimas semanas em função do resultados das eleições presidenciais nos EUA e da aproximação de Moscou e Ancara. Sputnik conversou com especialista militar turco, ligado a partido de extrema direita, para avaliar as últimas reviravoltas na região.

Segundo o porta-voz do departamento de Estado dos EUA, Mark Toner, os EUA estão prontos para apoiar as negociações entre a Rússia e a oposição síria. Por outro lado, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, se pronunciou a favor das negociações para prorrogação das pausas humanitárias em Aleppo e contra novas sanções em relação à Rússia. Está claro que o Ocidente está reavaliando as posições em relação à Síria. Isso refletirá nos planos de Ancara que, no contexto da crescente desconfiança em relação aos seus parceiros ocidentais, iniciou uma intensa reaproximação com Moscou. 

Para comentar as reviravoltas geopolíticas em torno da Síria, Sputnik Turquia convidou o especialista militar, ex-conselheiro de política externa do presidente do Partido de Ação Nacionalista turco, Celalettin Yavuz.

"Quanto à reformulação cardinal da política síria no Ocidente, vale dizer, em primeiro lugar, que hoje não podemos mais falar do Ocidente como uma entidade única. Eleições ocorreram nos EUA. A vitória foi de Trump, o que foi algo indesejável e inesperado para UE", disse o interlocutor da Sputnik.

"Em segundo lugar, a própria União Europeia está rachada. Brexit foi um golpe muito forte para o projeto de unificação europeu… Ideias nacionalistas radicais estão cada vez mais populares na Europa. Tudo isso reflete de modo negativo sobre os mecanismos de tomada de decisão na UE", explicou o especialista.

"Nas condições de ausência de uma estratégia unificada do Ocidente para a Síria, Turquia segue com a operação "Escudo do Eufrates" no país vizinho. Mas não está avançando tão rápido, quanto esperava. Os EUA, a princípio, não eram contra essa operação. No entanto, há pouco tempo morreram 4 militares turcos. Se o ataque não partiu dos russos nem dos sírios, então os culpados são evidentes…", ponderou Yavuz.

"Os objetivos políticos dos EUA na Síria não estão claros. Os americanos afirmam estar combatendo o Daesh. Ao mesmo tempo, estão combatendo as tropas de Assad. Os militantes do Daesh estão recuando, aos poucos. Mais cedo ou mais tarde eles serão expulsos de Al-Bab e depois de Raqqa. Assim, maior parte do território da Síria estará livre do Daesh. Mas o que acontece depois? Washington possui uma política concreta para o futuro da república árabe? Eu penso que não", lamentou o militar.

"Acredito que alguma definição surgirá somente depois de 20 de janeiro. Ou seja, depois do novo presidente, Donald Trump, assumir oficialmente o cargo. Seria bom se ele permanecesse fiel às promessas de combater o Daesh em conjunto com a Rússia e a Síria, feitas durante o processo eleitoral", concluiu Celalettin Yavuz.

Fonte: Sputnik

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