Envio de tropas dos EUA ao Leste Europeu é o maior 'desde a Guerra Fria', diz analista

"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;..." Mateus 24:6

12 de janeiro de 2017.

O envio à região de cerca de 4.500 soldados norte-americanos, bem como a transferência de um comboio de 900 vagões com armas, mais do que uma "operação defensiva", é uma estratégia "passivo-agressiva" para "conter a Rússia", segundo o analista internacional Guillermo Galea.
 
O especialista, diretor do Observatório da Rússia do Centro Argentino de Estudos Internacionais, disse em entrevista à Sputnik Mundo que "chama muito a atenção" que os EUA enviem tropas para a Europa Oriental sob a égide da OTAN neste momento – "quando está para terminar o mandato" do presidente Barack Obama –, apesar de os países da região, especialmente os do Báltico, “estarem demandando” à aliança uma maior presença militar há muito mais tempo.

Para Galea, esta "demonstração de força" é "a forma que os EUA têm de fazer diplomacia". Responder neste momento aos pedidos de países como Estônia, Letônia e Lituânia poderia ter a ver com as acusações de que a Rússia esteja envolvida em ataques cibernéticos internacionais.
 
De acordo com o analista, a estratégia deixa em “alerta” os estudiosos das relações internacionais, bem como a presença da OTAN em "uma parte tão importante" que opera como um "tampão entre a Europa e a Rússia".
 
"O chefe da OTAN, [Jens] Stoltenberg, disse que era uma operação defensiva, mas também temos de ter em mente que o envio de tantas unidades não tem precedentes desde o final da Guerra Fria; mais ou menos, no total, são 4.500 [militares]. Embora eles digam que não têm um inimigo em comum, ou que não visem nenhum país em comum, claramente a ideia é conter a Rússia", avaliou Galea.
 
Embora a OTAN afirme que a medida "é um movimento programado" e que a organização está "cumprindo uma operação de rotina", há elementos que demolem este argumento. Galea aponta que "tem-se ouvido algumas declarações" de altos comandantes militares dos EUA na OTAN sobre a necessidade de aumentar a presença da aliança na região após o retorno da Crimeia para a Federação Russa. "Não é a mesma coisa terem feito isso dois ou três anos atrás e fazê-lo agora", opinou o internacionalista.

Além disso, a posição da Alemanha "é um apoio fundamental" para a OTAN, segundo ele, já que este país "enviou tropas junto com a Grã-Bretanha" para a região. No entanto, disse o analista, os opositores da chanceler Angela Merkel "estão em desacordo" com o desdobramento militar a poucos meses para as eleições federais e o fim de seu mandato.
 
A possível chegada da oposição alemã ao Governo do país, assim como a posse iminente de Donald Trump – que expressou "desacordo" com a situação, mas vai cumprir os compromissos assumidos pelos EUA com os países da aliança ocidental, segundo declarações do senador republicano John McCain – podem fazer do aumento da presença militar na região "algo de temporário", segundo a avaliação de Galea.
 
"Pode ser a última política externa antes da saída de Obama, mas não acho que ela se sustente por muito tempo. O que a Europa precisa é descomprimir a relação com a Rússia, e isso [o envio de mais tropas às fronteiras russas] acrescenta mais tensão", disse ele, ressaltando que "tanto Trump quanto a esquerda alemã" querem "começar a ter relações um pouco mais maduras com a Rússia" e que, por isso, a tendência é procurar uma solução "que não seja pela força, porque senão, evidentemente, a escalada bélica vai continuar".

“Não acredito que isso vá adiante”, conclui o analista. “Não acho que vai levar a outro cenário de conflito nem a uma escala maior. Acho que [o presidente russo, Vladimir] Putin vai ser muito inteligente. Ele provavelmente irá tomar alguma medida para não se mostrar fraco, mas não deve haver uma escalada militar".
 

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