Em sinal ao Ocidente, Rússia faz maior exercício militar desde a Guerra Fria

"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;..." Mateus 24:6

28 de agosto de 2018.

 

A Rússia anunciou que fará o maior exercício militar desde 1981, quando ainda era o principal país da União Soviética e vivia um dos auges da tensão geopolítica com o Ocidente.

A motivação agora é a mesma. "A capacidade de defesa na atual situação internacional, que é frequentemente agressiva e hostil a nosso país, justifica [o exercício]", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, nesta terça (28).

Segundo a agência russa Tass, o Ministério da Defesa estipulou em 300 mil, ou um terço do total de soldados à sua disposição, o número de homens mobilizados para a manobra Vostok-2018 (Leste-2018). É o maior contingente desde o Zapad-81 (Oeste-81), ocorrido num momento crucial da Guerra Fria, quando a estagnação soviética levou sua liderança a achar que o confronto nuclear com os EUA era inevitável.

Para adicionar peso simbólico, a China participará com um número elevado de tropas, 3.200 soldados, além de 900 peças de artilharia e 30 aeronaves. Forças mongóis também devem se unir às potências. Os jogos de guerra ocorrerão na região siberiana de Zabaikalski, uma área no leste russo que faz fronteira com os dois vizinhos.

A aproximação entre Moscou e Pequim é um balé que ressurgiu com força a partir do isolamento russo do Ocidente, a partir de 2008. Os chineses têm investido pesadamente em projetos energéticos no vizinho, sedentos por sua riqueza em hidrocarbonetos.

Os presidentes Vladimir Putin se encontram frequentemente, e têm estreitado também colaboração militar. Pequim é antigo cliente de armas russas, apesar de estar acelerando o desenvolvimento de modelos próprios.

A Rússia, por sua vez, precisa de dinheiro cada vez menos disponível devido às sanções decorrentes da anexação da Crimeia da Ucrânia, em 2014. É uma aliança de ocasião, já que o Kremlin vê com suspeita os interesses chineses no seu desabitado Extremo Oriente, mas que foi reforçada pelo isolacionismo dos EUA sob Donald Trump.

As forças russas serão apoiadas por nada menos que 1.000 aviões e 36 mil blindados. Ainda não foi divulgado qual simulação ocorrerá, mas usualmente são cenários envolvendo países fictícios em situações verossímeis de crise militar e política.

Peskov disse que mesmo a crise econômica e a discussão sobre a reforma previdenciária no país não devem impedir o exercício, marcado para ocorrer de 11 a 15 de setembro. "Não há alternativa", afirmou.

No ano passado, a Rússia despertou suspeitas no Ocidente por fazer a versão 2017 do Zapad, manobra que ocorreu perto das sensíveis e hoje reforçadas fronteiras dos países bálticos e sugeria um ataque com forças irregulares a um estado soberano —justamente o que acusam Moscou de planejar na região.

Estônia, Letônia e Lituânia, que foram república soviéticas e hoje integram a Otan (aliança militar ocidental), vivem em estado de constante tensão, temendo ações militares russas análogas às ocorridas na Ucrânia.

Ao fim, a crise anunciada não se consumou. Monitores ocidentais reportaram que o número de soldados deve ter ficado nos 12.700 anunciados então, mas relataram também testes de várias táticas integradas de combate.

Agora, como o número de tropas supera os 13 mil que obrigam notificação compulsória à Organização para Segurança e Cooperação da Europa, integrada por Moscou, a entidade foi avisada com antecedência.

A Otan também já foi notificada, o que acalmou ânimos parcialmente. Segundo disse a agências de notícia o porta-voz da entidade, Dylan White, o tamanho maciço da manobra evidencia a "assertividade russa".

Fonte: Folha de São Paulo

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