Durante o mandato de Trump, situação na Ásia-Pacífica pode se tornar mais perigosa

"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;..." Mateus 24:6

17 de novembro de 2016.

 

Publicações e declarações de Donald Trump e, em especial, a matéria da Foreign Policy de seus assessores sobre a política externa da futura administração do recém-eleito presidente dos EUA permitem tirar algumas conclusões sobre os planos do futuro presidente norte-americano em relação à região da Ásia-Pacífico.

Em entrevista à Sputnik China, um especialista militar russo, Vasily Kashin, considera a possível virada nas relações dos Estados Unidos com seus aliados da Ásia.
 
Baseando-se nas declarações de Trump e de seus assessores, a nova administração norte-americana vai intensificar a pressão sobre seus maiores aliados regionais — Japão e Coreia do Sul. Washington vai tentar induzi-los a "dar uma maior contribuição à defesa da aliança". Esta pressão pode causar alguma resistência por parte de Tóquio e Seul. No entanto, no final, precisamente por causa da insatisfação de políticos asiáticos com a vitória de Trump, os objetivos norte-americanos podem ser facilmente alcançados. A vitória de Trump comprova a crescente imprevisibilidade da política dos EUA, ou seja, os aliados dos EUA terão que confiar mais em seus próprios recursos para garantir a segurança.
 
Pelo visto, será reforçado o apoio militar e técnico-militar de Taiwan, considerado um dos "faróis da democracia" de Trump na Ásia. Combinado com a desfavorável situação sóciopolítica para a China, este apoio vai obrigar os chineses a concentrar grandes forças em áreas adjacentes à ilha, criando um ponto de tensão permanente.

Os aliados de Trump criticam corretamente sobre a falha da política de "paciência estratégica" em relação à Coreia do Norte, realizada pela administração de Obama. E há muito tempo isso vem discutido por China e Rússia — países que defendem o estabelecimento de um diálogo construtivo com Pionguiangue, ou seja, renúncia da política de pressão e confronto e cancelamento das taxas unilaterais nas sanções. Mas a administração de Trump vai tomar um rumo oposto. É possível supor que as questões norte-coreanas sejam para aumento de pressão sobre a China, incluindo a introdução pelos EUA de sanções econômicas unilaterais contra empresas chinesas que apoiam as relações econômicas com a Coreia do Norte.
 
Ao mesmo tempo, será ativada a diplomacia americana na região. Para pequenos países do Sudeste da Ásia, os EUA vão tentar transmitir a ideia de que, durante o "novo regime", Washington é um aliado forte, estável e confiável, que sem hesitações vai ajudar e, aparentemente, não vai fazer muitas perguntas sobre a política nacional e a situação dos direitos humanos. Quaisquer erros de Pequim serão usados para colocar a China como uma potência "hegemônica", que não pode ser confiável.
 
Ainda é difícil dizer se essa política "do estilo Reagan" alcançará o sucesso. Aliás, referências à política de Reagan e a experiência positiva de Reagan são ouvidas por Trump e por seus adeptos constantemente. Além disso, a China servirá como o objeto de pressão "do estilo Reagan".
 
A época de Reagan nos Estados Unidos adquiriu um grande número de mitos que têm pouca correlação com a realidade. Em especial, o mito do "Reagan — o vencedor da URSS" — é o mais vivaz deles. Na realidade, a crise e o colapso da União Soviética aconteceram entre 1980 e 1990 por fatores internos que, na época, os Estados Unidos não poderiam influenciar de forma alguma.

Em 1987, Reagan chegou a conclusão sobre a inutilidade de confronto duro com a União Soviética e seguiu um caminho de compromisso com Moscou, o que tornou possível dar um fim à Guerra Fria nos anos de 1988 e 1989. O subsequente colapso da URSS ocorreu sem explícita influência dos EUA, ademais, como se sabe, os Estados Unidos tentaram impedi-lo. Se Reagan tivesse realizado sua política dura de poder não contra a União Soviética enfraquecida no início e em meados da década de 1980, mas na União Soviética mais dinâmica das décadas de 1960 e 1970, os resultados teriam sidos catastróficos.
 
A possível política de Trump está relacionada às tentativas dos EUA em firmar rapidamente sua presença na Europa Oriental e busca da vitória militar eficaz e rápida sobre os grupos radicais islâmicos no Oriente Médio. Isto dá à Rússia uma chance de entrar em compromissos com Washington sobre os problemas da Síria e da Ucrânia em termos aceitáveis. No entanto, a situação na região da Ásia-Pacífico se tornará muito mais explosiva, que, de certa forma, também afetará os interesses da Rússia.
 
Fonte: Sputnik

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