Contra quem na realidade irá combater a 'OTAN árabe'?

"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;..." Mateus 24:6

20 de maio de 2017. 

 

Em 19 de maio, o presidente Trump começou seu tour internacional e a parada principal é a Arábia Saudita. O rei saudita, Salman bin Abdulaziz, convidou líderes de 20 países árabes para participarem do encontro com o presidente norte-americano.

A Casa Branca tenta apresentar esta viagem como "histórica": Trump visitará países de três religiões [islâmica, judaica e católica] e se dirigirá ao mundo muçulmano. Mas esta digressão, frente ao ambiente agitado nos EUA, mais parece uma fuga, escreve a analista Veronika Krasheninnikova. Para além disso, os funcionários da Casa Branca temem que um presidente pouco experiente e que não controla seu discurso possa dizer algo inapropriado e provocar algum escândalo internacional.

Mas nada pode esconder as iniciativas político-militares que os generais americanos estão tentando realizar por meio do presidente, diz a especialista russa.

Em Riad, Trump apresentará uma iniciativa importante que dará início a uma nova aliança, a assim chamada "OTAN árabe" cujo objetivo principal é a "luta contra o terrorismo e a contenção do Irã". A aliança será chefiada pela Arábia Saudita, o núcleo principal será composto pelo Egito, Jordânia e Emirados Árabes Unidos. No total, a aliança contará com 41 países, o que é duas vezes mais que o número dos próprios países árabes. Os EUA se ocuparão da função de organizadores e não farão parte da união oficialmente.

A seriedade das intenções dos EUA é comprovada pelo enorme pacote de acordos na área de armamentos que Trump tenciona apresentar em Riad. Assim, Trump levanta dos sauditas todas as restrições militares: o fornecimento de armas havia sido suspenso na presidência de Obama, inclusive por causa do número de vítimas civis no Iêmen. De acordo com representantes oficiais americanos, as vendas de armas contribuirão para a modernização profunda do Exército e Marinha sauditas.

O valor de 350 bilhões de dólares [suposto montante do total de venda de armamentos que pode ser atingido em 10 anos] equivale a sete orçamentos militares anuais da Rússia. Isto não pode ser apenas para a guerra da Arábia Saudita no Iêmen. Este dinheiro é destinado para uma guerra muito grande no Oriente Médio. Primeiro será Assad, depois se seguirá o Irã, considera Krasheninnikova.

Herbert MacMaster, conselheiro de Segurança Nacional, declarou que o objetivo principal de Trump é ajudar aos parceiros islâmicos dos EUA a avançarem no combate ao terrorismo e aos que "desde o Daesh e a Al-Qaeda, passando pelo Irã e o regime de Assad, espalham o caos e a violência".

"É assim que na Casa Branca vêm a ameaça: a Al-Qaeda, o Daesh, o Irã e a Síria alinhados na mesma frase ", comenta a analista russa a declaração do conselheiro.

A ideia de criação da "OTAN árabe" pairava entre políticos e militares há anos. A necessidade de criar uma aliança parecida ficou mais forte quando a OTAN "europeia" começou a perder o interesse pelas guerras norte-americanas.

Com Trump tudo ficou mais fácil: a escalada no Oriente Médio responde aos principais objetivos de Trump — estabelecer a liderança dos EUA na região, transpor o fardo dos gastos militares para os aliados e criar postos de trabalho para os cidadãos americanos, gerando encomendas para o complexo militar industrial.

"Que tudo isso pode significar para Rússia?", pergunta Veronika Krasheninnikova e aponta uma série de ameaças que a criação da "OTAN árabe" pode provocar, entre elas o poder crescente dos países árabes patrocinadores do terrorismo, com o aumento da quantidade de armas, e o fato de os verdadeiros planos desta "aliança" ainda não serem claros.

A analista destaca que, para os EUA, o que a Rússia chama de terrorismo não é problema. Esta força serve para Washington para derrubar regimes indesejáveis, mudar o mapa político da região segundo os seus interesses e estabelecer o controle sobre os recursos naturais.

Respondendo à questão sobre o que a Rússia precisa fazer, a analista política escreve que está na hora de parar de acreditar no palavreado vazio de Trump e começar a entender que ele, com seus generais, é uma ameaça direta. No entanto, conclui Veronika Krasheninnikova, mesmo se Trump deixar o cargo, a ameaça permanece, pois o objetivo principal de Trump era fazer sair o gênio da garrafa, o que ele quase conseguiu.

Fonte: Sputnik

https://br.sputniknews.com/oriente_medio_africa/201705208438382-trump-arabia-saudita-alianca/

voltar para Guerras

fwR fsN tsY show center|left tsN fwR|show fwR center|bnull||image-wrap|news login uppercase b01 bsd|fsN fwR uppercase b01 bsd|b01 c05 bsd|login news fwR uppercase b01 bsd|tsN fwR uppercase b01 bsd|fwR uppercase|content-inner||