Conflitos no Oriente Médio marcam o início do Ramadã

"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;..." Mateus 24:6

27 de maio de 2017. 

 

De Jacarta a Túnis, passando por Mossul, o mês sagrado de jejum e oração do Ramadã começou neste sábado (27) para quase 1,5 bilhão de muçulmanos em todo o mundo.

Durante 29 ou 30 dias, eles vão abster-se de comer, beber, fumar e fazer sexo do nascer ao pôr do sol. Antes de quebrar o jejum com refeições, muitas vezes festivas.

Mas, em vários países, principalmente no Oriente Médio, estas celebrações são ofuscadas este ano por conflitos ou pelas dificuldades econômicas.

Assim, no Afeganistão, um atentado com um carro-bomba reivindicado pelo Talibã e, aparentemente, visando uma milícia financiada pela CIA, deixou 13 civis e militares mortos, neste sábado, em Khost, no leste do país.

Na Líbia, o início do Ramadã coincidiu com a retomada da violência em Trípoli, onde grupos rivais tentaram na sexta-feira tomar posições no centro da capital. As autoridades relataram 28 mortes, enquanto as forças leais ao Governo de União Nacional (GNA) lamentaram 52 mortes.

"Este é o presente (dos grupos armados) aos cidadãos para o mês do Ramadã", denunciou o GNA.

Para os habitantes da zona oeste de Mossul, no Iraque, o início do mês sagrado começa com o anúncio, por parte das forças iraquianas, do lançamento de uma ofensiva simultânea em vários bairros ainda controlados pelos extremistas do grupo Estado Islâmico (EI).

No Iêmen, o enviado das Nações Unidas Ismaïl Ould Cheikh Ahmed não foi capaz de promover a ideia de uma trégua para o Ramadã nos combates entre os rebeldes xiitas huthis e as forças do governo.

'Um Ramadã feliz'

O início do Ramadã também é marcado pelo luto no Egito, onde um ataque reivindicado pelo EI no dia anterior que deixou mortos entre cristãos coptas.

O mufti do Egito, Shawki Allam, havia cancelado na sexta à noite (26) a cerimônia que acompanha a cada ano a observação da lua e o anúncio do início do mês sagrado.

"Apesar do coração partido e das lágrimas nos olhos, ainda desejo a todos os meus amigos um Ramadã feliz", escreveu neste sábado em sua página no Facebook Nabil Hakim, um copta egípcio que vive nos Estados Unidos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desejou "um feliz Ramadã a todos os muçulmanos", chamando a comunidade muçulmana a rejeitar a violência promovida pelos extremistas e trabalhar pela paz, em um comunicado na sexta-feira.

Em um discurso aos sauditas e muçulmanos em geral, publicado neste sábado pela imprensa em Riad, o rei Salman da Arábia Saudita chamou o Islã de "religião da misericórdia, moderação e coexistência pacífica".

Nos países do Golfo, empresas e indivíduos oferecem, especialmente nas mesquitas, refeições gratuitas de ruptura do jejum aos muitos trabalhadores estrangeiros de confissão muçulmana, ou de outras.

Dias mais longos

Na Tunísia, o presidente Beji Caid Essebsi afirmou sexta-feira à noite na televisão que as autoridades tinham feito um "esforço especial" para reduzir os preços de alguns alimentos para o Ramadã, uma vez que "o poder de compra é um pouco baixo".

Muitos crentes fazem realmente grandes esforços nas compras de alimentos em antecipação das refeições com a família e amigos durante este mês sagrado.

No centro de Túnis, como a cada Ramadã, alguns cafés cobriram suas vitrines com papel jornal para permitir que aqueles que não fazem jejum possam comer e fumar sem serem vistos.

Na Indonésia, o país com o maior número de muçulmanos no mundo, as autoridades destruíram milhares de garrafas de cerveja e outras bebidas para lembrar que o consumo de álcool é contra os princípios do Islã.

O Ramadã pode ser particularmente difícil este ano, porque acontece durante um período em que os dias são mais longos e as temperaturas são muito elevadas na maioria dos países muçulmanos.

O período termina em 25 ou 26 de junho, dependendo do país, com a festa de Eid al-Fitr.

Fonte: AFP

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