Com Trump, compromisso militar dos EUA no Japão e na Coreia do Sul pode ser prejudicado

"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;..." Mateus 24:6

16 de novembro de 2016.

 

O compromisso militar dos Estados Unidos na Ásia ficará sob risco se Donald Trump cumprir com sua ameaça de retirar as tropas do Japão e da Coreia do Sul, em um momento em que a China avança na região e a Coreia do Norte aumenta suas provocações.

Durante a campanha eleitoral, o futuro presidente republicano disse que poderia retirar os soldados americanos do sul da península coreana e do arquipélago nipônico se os dois países não aumentassem significativamente sua contribuição financeira.

Tampouco hesitou em dar a entender que preferia que ambos os países tivessem suas próprias armas nucleares, algo que logo negou.

As declarações de Trump colocam em dúvida as alianças com os Estados Unidos vigentes desde a Segunda Guerra Mundial, assim como o "guarda-chuva nuclear" com o qual Washington se compromete a proteger esses países em troca da permissão de instalar bases militares em seus territórios.

"Sem dúvida, o debate sobre a possível nuclearização desses países voltará à mesa", explica Céline Pajon, uma especialista sobre o Japão do Institut Français des Relations Internationales (IFRI).

Shinzo Abe, primeiro-ministro japonês, estará na quinta-feira em Nova York e será um dos primeiros líderes a se reunir com Trump antes que ele assuma oficialmente suas funções em janeiro.

"Isso demonstra a urgência do Japão para tratar questões estratégicas e a necessidade de esclarecer as coisas o mais rápido possível", explica Valérie Niquet, responsável da Ásia na Fondation pour la Recherche Stratégique (FRS).

Abe prometeu na segunda-feira ao Parlamento "discussões sinceras sobre vários temas, incluindo a segurança".

Durante a campanha, Trump disse que o Japão tinha que aumentar sua contribuição econômica para manter os 47.000 soldados americanos em seu território.

Nos anos de 2015 e 2016 sua manutenção custou 190 bilhões de ienes (1,6 bilhões de euros), segundo cifras do governo japonês. Os gastos indiretos - que incluem indenizações aos vizinhos das bases - custaram 3,5 bilhões de euros.

Na semana passada, a ministra de Defesa, Tomomi Inada, assegurou que o Japão já paga o "suficiente". Também estão previstas reuniões com a Coreia do Sul, que esta semana enviará a Washington altos responsáveis das Relações Exteriores.

"Vazio estratégico""O grande risco de Trump é o vazio estratégico na Ásia", que levaria a China a "se sentir autorizada a aproveitá-lo", explica Niquet.

Céline Pajon acredita que essas incertezas legitimam o projeto de Shinzo Abe de "revisar" a Constituição pacifista e, assim, reforçar o papel do exército.

Se finalmente o Japão decidir ter armas nucleares, "suporia-se uma recomposição total" do equilíbrio regional com "consequências dramáticas" para a estabilidade, indica Valérie Niquet.

Mas segundo Takashi Kawakami, responsável do Instituto de Estudos Mundiais da Universidade de Takushoku em Tóquio, a oposição da população seria difícil de superar em um país que sofreu os ataques nucleares de Hiroshima e Nagasaki.

Além disso, segundo Mark Fitzpatrick, diretor para as Américas do International Institute for Strategic Studies (IISS), "o desenvolvimento de armas nucleares no Japão e na Coreia do Norte enfraqueceria o TNP (tratado de não-proliferação nuclear) e o não só no leste da Ásia".

Na Coreia do Sul, onde há 28.000 soldados americanos, o apoio às armas atômicas é minoritário, mas aumenta a cada vez que a Coreia do Norte realiza um teste nuclear.

"Não podemos pedir emprestado um guarda-chuva ao vizinho cada vez que chove, necessitamos um impermeável", disse em fevereiro Won Yoo-Cheol, líder no Parlamento do Saenuri, partido no poder. 

Fonte: AFP

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