Bombardeios prejudicam vida de 250 mil menores de idade na Síria, diz ONG

"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;..." Mateus 24:6

09 de março de 2016.

 

Cerca de 250 mil menores de idade que vivem em áreas sitiadas na Síria são gravemente prejudicados pelos constantes bombardeios que castigam o país, revelou nesta terça-feira um relatório publicado pela organização Save the Children.

A pesquisa apontou que os pais têm que tentar amenizar o impacto psicológico sofrido por seus filhos por causa das explosões, da falta de comida, remédios e água potável.

Para esse estudo, que é divulgado cinco anos depois do início da guerra que praticamente destruiu a Síria, a Save the Children entrevistou mais de 125 mães, pais e crianças, separados em 22 grupos. Em todos eles, os menores de idade afirmaram que vivem com "medo constante de um ataque". Já os pais indicaram que a personalidade de seus filhos mudou. Eles se tornaram "retraídos, agressivos e depressivos".

Quase todos os grupos afirmaram que assistiram a morte de crianças por causa da falta de remédios e da impossibilidade de acesso ao sistema de saúde do país. A quantidade de refeições por dia caiu pela metade. Além disso, quatro dos grupos entrevistados informaram sobre mortes por desnutrição e fome.

A Save the Children denunciou que, apesar do aumento da ajuda humanitária para as regiões sitiadas na Síria, apenas parte do auxílio necessário consegue entrar nesses locais. Alguns dos remédios e alimentos essenciais são retirados dos caminhões antes de chegaram à população. Os moradores também não podem sair em busca de tratamento médico.

A diretora de Comunicação para o Oriente Médio da Save the Children, Misty Buswell, ressaltou que as crianças "pagam o preço da inação do mundo", já que algumas áreas sitiadas estão a poucos quilômetros dos armazéns onde a ajuda humanitária necessária está acumulada.

"As famílias entrevistadas nos contaram casos de bebês que morreram em pontos de controle, veterinários que atendem humanos e crianças forçadas a comer rações de animais nos porões onde se protegem dos ataques", disse Buswell.

A Save the Children pediu no relatório que as partes envolvidas no conflito estabeleçam um cessar-fogo, permitam que a ajuda humanitária chegue sem restrições às zonas afetadas e parem de atacar escolas e hospitais. Além disso, a organização exigiu que a comunidade internacional não use o auxílio humanitário como moeda de troca em negociações políticas. 

Fonte: EFE.

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