Bombardeios do regime sírio provocam dia catastrófico em Aleppo

"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;..." Mateus 24:6

20 de novembro de 2016.

 

Ao menos 27 civis morreram neste sábado em bombardeios aéreos do regime sírio contra os bairros rebeldes de Aleppo, que destruíram um dos últimos hospitais da região e obrigaram as escolas a permanecer com as portas fechadas.

A ONU se declarou "horrorizada" com a espiral de violência na Síria e pediu para ter acesso imediatamente a Aleppo.

Pelo quinto dia consecutivo, uma profusão de foguetes, obuses e barris de explosivos caía sobre a segunda maior cidade da Síria, o que provocava tremores nos edifícios e um barulho assustador.

"As Nações Unidas chamam todas as partes a interromperem os ataques indiscriminados contra os civis e as infraestruturas civis", afirmaram o coordenador humanitário da ONU para a Síria, Ali al Zaatari, e o coordenador humanitário regional, Kevin Kennedy.

Zaatari e Kennedy disseram que a ONU tem um plano para ajudar a população sitiada de Aleppo.

"A ONU compartilhou com todas as partes em conflito em Aleppo e com os Estados concernidos um plano humanitário detalhado para oferecer ajuda urgente aos habitantes do leste de Aleppo, e para a evacuação dos doentes e feridos", afirmaram.

A conselheita americana para a segurança nacional, Susan Rice, indicou que os Estados Unidos condenam "os terríveis ataques contra instalações médicas e trabalhadores humanitários".

"Não há desculpas para esses atos atrozes", declarou em Lima, considerando que "o regime sírio e seus aliados, a Rússia em particular, são responsáveis pelas consequências imediatas e em longo prazo de tais atos".

Dia 'catastrófico'Os Capacetes Brancos (grupo de socorristas na zona rebelde) publicaram neste sábado em sua página do Facebook alguns vídeos e fotografias que demonstram a violência dos bombardeios.

"É um dia catastrófico em Aleppo, cercada com um bombardeio sem precedentes com todo tipo de armas", escreveram os Capacetes Brancos.

"Praticamente nenhum bairro do leste de Aleppo está livre hoje dos bombardeios do regime", afirmou à AFP Rami Abdel Rahman, diretor da ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Desde terça-feira, quando o regime de Bashar al-Assad retomou os bombardeios após um mês de suspensão, ao menos 92 civis morreram nos ataques contra os bairros controlados pelos rebeldes na cidade.

As tropas de Assad, que dominam os bairros da zona oeste da cidade, desejam reconquistar a qualquer custo a parte leste de Aleppo, dominada pelos rebeldes desde 2012.

A cidade, que já foi a capital econômica do país, virou a principal frente de batalha de um conflito que provocou mais de 300.000 mortes desde 2011.

'Bombardeios selvagens'As escolas da zona leste de Aleppo anunciaram em um comunicado a suspensão das aulas no sábado e domingo para garantir "a segurança dos alunos e professores após os bombardeios selvagens".

Nos últimos dias, as bombas atingiram centros médicos e deixaram os 250.000 habitantes que, segundo estimativas, ainda moram nos bairros da zona leste em uma situação cada vez mais dramática.

Na sexta-feira, um bombardeio no bairro rebelde de Maadi destruiu parcialmente um dos últimos hospitais da região. Dois pacientes morreram e vários enfermeiros ficaram feridos.

E o último hospital pediátrico que permanecia aberto teve que ser evacuado, depois de ser atingido por barris de explosivos na quarta-feira, informou a ONG Associação dos Médicos Independentes (ADI), que administra o local.

Para a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), este é um "dia negro para o leste de Aleppo, onde os violentos bombardeios provocaram graves danos aos poucos hospitais que ainda poderiam proporcionar cuidados médicos".

"As forças do regime querem combinar os bombardeios aéreos e a fome provocada pelo cerco para obter a rendição dos rebeldes", afirma Thomas Pierret, especialista sobre a Síria e professor da Universidade de Edimburgo.

A Rússia, que apoia o regime de Damasco há mais de um ano, não participa nos bombardeios em Aleppo, mas executa uma ofensiva na província de Idleb (noroeste), controlada por uma aliança de rebeldes e jihadistas.

Para muitos analistas, Damasco e seus aliados desejam ganhar tempo antes da posse do futuro presidente americano, Donald Trump, em janeiro de 2017.

"Está claro que Moscou, Damasco e Teerã querem reconquistar rapidamente o leste de Aleppo. O governo dos Estados Unidos está paralisado, querem apresentar a Trump um fato consumado em janeiro", explica Fabrice Balanche, especialista para questões sobre a Síria do Washington Institute, um centro de estudos americano.

Em outra frente de batalha, uma coalizão curdo-árabe iniciou em 5 de novembro uma ofensiva para retomar Raqa do grupo Estado Islâmico (EI), que transformou esta cidade em seu reduto no leste da Síria.

Uma fonte das forças envolvidas na batalha afirmou à AFP que a coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos forneceu novas armas e também participa diretamente nos combates.

Fonte: AFP

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