Bolívia pede diálogo com Chile; chanceler chileno diz que declaração de Morales é 'piada'

"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;..." Mateus 24:6

24 de julho de 2016.

O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse neste sábado (23/07) que é “urgente” que ocorra diálogo entre seu país e o Chile para resolver “questões humanitárias”, em meio a uma crise causada pela revogação de visto diplomático para oficiais bolivianos. O chanceler do Chile, por sua vez, classificou a declaração de Evo como “piada”.

 Na terça-feira (19/07), o governo do Chile anunciou a revogação de visto para diplomatas e funcionários do governo da Bolívia após visita não anunciada do chanceler do país, David Choquehuanca, para verificar as condições de trabalhadores bolivianos em portos chilenos.

“É urgente o diálogo para resolver questões humanitárias de dois povos irmãos”, escreveu Morales em seu Twitter.

Em outra mensagem, endereçada ao governo do Chile, o mandatário afirmou que “é mais digno reconhecer que desconhecer falhas sobre questões humanas”.

Também pelo Twitter, o ministro de Relações Exteriores do Chile rechaçou o pedido de Evo Morales.

“Oferecem ‘diálogo’ depois de show... e seguem reclamações. Uma piada. Diálogo é com respeito (princípio elementar) e por condutas apropriadas”, escreveu.

A revogação dos vistos diplomáticos para oficiais bolivianos ocorreu um dia depois de uma comitiva de 60 pessoas, liderada por Choquehuanca, ter visitado os portos de Arica e Antofagasta, no norte do Chile, para verificar denúncias de abusos e discriminação contra transportadores bolivianos que violariam o Tratado de Paz e Amizade assinado por ambas as nações em 1904 e que determina o direito de livre trânsito de cargas bolivianas por portos chilenos.

O governo do Chile nega as acusações de que estaria desrespeitando os tratados.

A visita não foi previamente comunicada ao governo do Chile, que desaprovou a atitude boliviana. O ministro das Relações Exteriores do Chile, Heraldo Muñoz, disse que a revogação dos vistos se deu “em consideração ao que foi uma suposta visita de inspeção, que foi uma visita privada e na qual se abusou da generosidade do povo chileno e da tolerância de nosso país”.

A decisão do Chile foi criticada pelo governo de Morales, que anunciou que não tomaria medida semelhante em relação aos chilenos. Pelo Twitter, o mandatário elogiou também o trabalho “histórico, inédito e heroico” feito pela delegação que visitou o Chile, que verificou “o descumprimento de acordos, abuso e violação de direitos humanos de bolivianos”.

A revogação de vistos não foi estendida a cidadãos bolivianos, que poderão continuar entrando no país vizinho utilizando apenas seus documentos de identidade.

A tensão diplomática entre Chile e Bolívia já dura décadas, tendo interrompido relações em 1978 devido à demanda boliviana de acesso ao mar. Em 2013, a Bolívia apresentou um requerimento à Corte Internacional de Haia exigindo uma negociação com o Chile para restituir sua saída ao mar perdida durante a Guerra do Pacífico (1879-1883).

Fonte: Opera Mundi.

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