Após fugir do Boko Haram, nigerianas são atacadas por soldados

"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;..." Mateus 24:6

03 de novembro de 2016.

Elas encontraram forças para conseguir escapar da violência dos militantes do Boko Haram no estado de Borno, Nigéria. No entanto, ao chegarem em campos de proteção de pessoas deslocadas, mulheres e meninas estão vulneráveis a ataques daqueles que deviam garantir a sua segurança: soldados, policiais e até agentes do próprio campo.

É o que revelou um relatório produzido pela organização não governamental Human Rights Watch lançado nesta semana. Para a sua produção, foram entrevistadas 43 mulheres vivendo em um campo de Maiduguri, capital de Borno. Essas mulheres são de cidades e vilarejos onde o grupo extremista atacou ou estava na iminência de atacar.

Desde 2009, mais de dez mil pessoas foram mortas cerca de 2 mil mulheres e meninas foram sequestradas em ataques dos extremistas. Um dos casos mais chocantes aconteceu em 2014, quando o grupo invadiu uma escola e sequestrou quase 300 meninas. A maioria ainda está desaparecida, embora 21 delas tenham sido libertadas no mês passado após negociações.

Condições subumanas

A entidade denunciou ainda as condições deploráveis de vida enfrentadas pelas pessoas que vivem nos campos de deslocados em Borno e criticou o governo nigeriano pela falta de estrutura. De acordo com o relatório, faltam medicamentos e atendimento especializado para mulheres vítimas de violência sexual.

Como resultado da precariedade do local, o número de pessoas com HIV aumentou dramaticamente entre 2014 e 2016, de 200 para 500, mas estima-se que esse número seja ainda maior, uma vez que muitas sentem vergonha de relatar o ataque e buscar ajuda. Aquelas que engravidam enfrentam ainda o preconceito e são frequentemente isoladas do convívio social.

Casos

Um dos casos ouvidos pelos pesquisadores da Human Rights Watch foi o de uma menina de 16 anos, que conseguiu escapar de um dos ataques do Boko Haram em Baga, norte de Bono. Em 2015, o grupo realizou um ataque nesse vilarejo no qual ao menos 2 mil pessoas foram mortas.

Foi dopada e estuprada por um membro de uma força popular que tem o apoio do governo no combate aos terroristas. Ele era responsável pela distribuição de medicamentos. Segundo a jovem, esse homem pediu por sexo algumas vezes e ela sempre respondia que era jovem demais, até que um dia ele a atacou. Ela engravidou em razão do ataque e seu algoz deixou o campo no dia em que o bebê nasceu.

Repercussão

O relatório da Human Rights Watch foi recebido com choque pela presidência do país. Em manifestações nas redes sociais, o presidente Muhammadu Buhari classificou os relatos como preocupantes e prometeu tomar medidas enérgicas para garantir a segurança das pessoas nos campos.

Fonte: EXAME.

voltar para Guerras

fwR fsN tsY show center|left tsN fwR|show fwR center|bnull||image-wrap|news login uppercase b01 bsd|fsN fwR uppercase b01 bsd|b01 c05 bsd|login news fwR uppercase b01 bsd|tsN fwR uppercase b01 bsd|fwR uppercase|content-inner||