Aleppo segue sob intensos bombardeios de Damasco e Moscou

"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;..." Mateus 24:6

13 de outubro de 2016.

 

Aviões sírios e russos bombardearam novamente nesta quinta-feira Aleppo, onde os ataques aéreos contra os bairros rebeldes mataram ao menos 71 civis em 48 horas, permitindo que as tropas de Damasco avançassem nesta cidade do norte da Síria.

Diante da indignação internacional pela situação humanitária em Aleppo, Washington e Moscou - respectivos apoios dos rebeldes e do regime de Bashar al-Assad - anunciaram na quarta-feira duas reuniões internacionais para este fim de semana com o objetivo de iniciar mais um cessar-fogo na outrora capital econômica da Síria.

Ao amanhecer, os bairros rebeldes do leste desta cidade sofreram cerca de vinte bombardeios. Ao mesmo tempo, as tropas governamentais avançavam no noroeste de Aleppo, se apoderando de colinas a partir das quais se divisam as zonas em poder dos insurgentes, indicou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

O Observatório não informou um balanço de vítimas.

A televisão estatal síria informou, por sua vez, sobre a morte de quatro crianças por disparos de foguetes na manhã desta quinta-feira, que atingiram uma escola na parte de Aleppo controlada pelo governo de Damasco.

As forças do presidente Bashar al-Assad lançaram no dia 22 de setembro uma ofensiva para recuperar toda a cidade de Aleppo, a antiga capital econômica do país, dividida desde 2012 entre os bairros rebeldes e os pró-regime.

A operação conta com o apoio da aviação da Rússia, que intensificou seus bombardeios no início da semana.

Sete crianças figuram entre os 56 civis mortos na terça-feira nos bairros rebeldes, e na quarta-feira outros 15 civis morreram neste setor, afirmou Rami Abdel Rahman, diretor do OSDH.

"O balanço aumentou porque muitas pessoas morreram como consequência de seus ferimentos e há corpos ainda presos sob os escombros", acrescentou Rahman.

Os bombardeios rebeldes contra os bairros pró-governamentais também mataram oito civis entre terça e quarta-feira, informou o OSDH.

- Lausanne e Londres -No front diplomático, a comunidade internacional se mostrou até agora incapaz de colocar fim ao banho de sangue nesta cidade, que se converteu em um dos símbolos da guerra que atinge a Síria desde março de 2011.

Mais de 250.000 pessoas vivem nos bairros rebeldes de Aleppo, sitiados há vários meses e onde as escolas e hospitais são atingidos regularmente pelas bombas. ONU, França e Estados Unidos denunciaram "crimes de guerra".

Os Estados Unidos e a Rússia, que suspenderam há vários dias seus contatos sobre a Síria, anunciaram na quarta-feira duas reuniões internacionais com os países árabes e europeus: a primeira no sábado em Lausanne (Suíça) e a segunda no domingo em Londres.

Ao encontro do secretário de Estado americano, John Kerry, e de seu colega russo, Serguei Lavrov, devem se somar os ministros da Turquia, Arábia Saudita e Catar, os três apoios das forças de oposição síria.

Nenhuma das partes confirmou um convite ao Irã, ator-chave no conflito e aliado de Assad.

No domingo em Londres, Kerry deve se reunir com seus colegas de Reino Unido, Alemanha e França.

Fonte: AFP.

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