AI denuncia uso de armas químicas pelo Exército sudanês em Darfur

"E ouvireis de guerras e de rumores de guerras;..." Mateus 24:6

29 de setembro de 2016.

A Anistia Internacional (AI) denunciou nesta quinta-feira que existem "evidências horríveis do uso repetido do que se acredita serem armas químicas contra civis, incluídos crianças muito pequenas, por parte do Exército do Sudão em uma das regiões mais remotas de Darfur nos últimos oito meses".

A AI afirmou em um relatório divulgado hoje que pelo menos 30 ataques químicos aconteceram na região de Jebel Marra, em Darfur, de janeiro até o dia 9 deste mês.

A organização baseia suas afirmações em imagens de satélite, além de mais de 200 entrevistas com sobreviventes e análise de especialistas de dezenas de imagens "que mostram bebês e crianças com ferimentos horríveis".

"As armas químicas foram proibidas há décadas, em reconhecimento do fato que o nível de sofrimento que provocam não pode ser justificado nunca. O fato de que o governo do Sudão esteja usando repetidamente contra seu próprio povo não pode ser ignorado", afirmou a diretora de Investigação de Crise da AI, Tirana Hassan.

Com base em testemunhos de voluntários e sobreviventes, a AI estimou que entre 200 e 250 pessoas podem ter morrido como consequência da exposição às armas químicas.

Além disso, outras centenas sobreviveram aos ataques, mas nas horas e os dias posteriores desenvolveram sintomas graves como vomitar sangue e diarreia, além de problemas na pele, nos olhos e respiratórios.

Muitas das vítimas disseram para a AI que não tinham acesso a remédios e que foram tratados com uma combinação de sal e ervas locais.

Segundo a ONG, as armas químicas foram utilizadas em forma de bombas lançadas por aviões e foguetes.

"O uso de armas químicas é um crime de guerra. As provas que recolhemos são críveis e mostram um regime que está decidido a dirigir ataques contra a população civil em Darfur, sem medo de uma punição internacional", afirmou Tirana.

Os supostos ataques químicos aconteceram como parte de uma ofensiva lançada em janeiro deste ano pelas forças sudanesas em Jebel Marra contra o Exército de Libertação do Sudão, que é acusado de emboscada militar e atacar civis, acrescentou o relatório.

Nele, a organização, que citou sobreviventes e organizações locais de direitos humanos, afirmou que 367 civis, entre eles 95 crianças, foram assassinados em Jebel Marra pelas forças governamentais nos primeiros seis meses do ano.

Darfur é palco de um conflito entre movimentos rebeldes e o Exército sudanês que causou mais de 300 mil mortes e obrigou que 2,7 milhões de pessoas abandonassem suas comunidades de origem, segundo dados da ONU. 

Fonte: EFE.

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