Ondas de calor: especialistas alertam que é impossível voltar a ter 'um clima normal'

"...e grandes sinais do céu." Lucas 21:11

26 de julho de 2018.

 

Da França à Suécia, passando pelo Canadá e o Japão, o hemisfério norte sufoca com as ondas de calor durante este verão. Climatologistas alertam, no entanto, que as altas temperaturas serão frequentes e que, diante da impossibilidade de resolver o problema, as pessoas vão ter que se acostumar.

Algumas cidades da França registram 38°C, enquanto a chuva não chega na Suécia há três meses, que também sofre com o verão mais quente dos últimos dois séculos. A tragédia se estende ao Japão, onde mais de 80 pessoas morreram no Japão devido as temperaturas que ultrapassam 40°C. Os termômetros batem recordes também nos Estados Unidos e no Canadá: Los Angeles marcou 40°C e, no Québec, a sensação térmica é de 45°C.

Nos últimos anos, as ondas de calor se tornaram frequentes até mesmo em locais onde os verões eram amenos antigamente. A tendência, no entanto, é que episódios de altas temperaturas se repitam cada vez mais e, inclusive, "se tornem normais", diz o climatologista francês Robert Vautard, diretor de pesquisa do Laboratório de Ciências do Clima e do Meio Ambiente (LSCE).

Entrevistado pela France Info, o especialista explica que as ondas de calor atuais são uma consequência direta do aquecimento global.

"Não poderemos voltar a ter um clima normal, mesmo diminuindo as emissões de CO2. Poderemos conter e limitar a progressão do calor, mas as temperaturas dependem dos gases de efeito estufa, que já estão na atmosfera, e diminuir os níveis de CO2 é extremamente difícil. Contrariamente à poluição, cujas partículas podem ser eliminadas de forma relativamente rápida, essas emissões de gases de efeito estufa são dificilmente eliminadas", afirma.

Consciência e ação

Segundo Vautard, é preciso que as pessoas estejam conscientes de que a situação não pode ser revertida e será necessário se adaptar. Apesar de parecer óbvio que é preciso combater o problema, algus governos, como o americano, não tratam a questão como prioritária. "O clima está em segundo plano em relação aos assuntos que eles julgam imediatos", avalia.

A segunda etapa, diz o climatologista, é agir em diversas instâncias, começando por investir ao máximo em uma energia zero carbono, que não emita gás carbônico. O foco do problema, segundo Vautard, não está na Europa, mas nos países em desenvolvimento. "Não devemos culpá-los, mas é preciso sobretudo pensar em como ajudá-los para que eles se desenvolvam de uma forma diferente. Não é apenas um desafio para eles: todo mundo deve se envolver", conclui.

Segundo um estudo publicado em 2017 na revista Nature Climate Change, mesmo que se respeite os compromissos acertados no Acordo de Paris sobre o Clima, metade da população mundial seria exposta a ondas de calor até 2100. Atualmente, apenas 30% sofre com o fenômeno.

Com o ar mais quente e a vegetação mais seca, os incêndios também devem se multiplicar. De acordo com a Comissão Europeia, 2017 foi um dos piores anos de incêndios na Europa, com 800.000 hectares queimados em Portugal, Espanha e Itália. Estudos estimam que as superfícies suscetíveis a queimarem no sul da Europa poderiam aumentar de 50% a 100% durante o século XXI, dependendo da intensidade do aquecimento global.

Fonte: RFI

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