'Queremos comida!', clamam venezuelanos a candidato opositor

“...e haverá fomes,” Mateus 24:7

27 de março de 2018.

 

"Queremos frango, arroz, banana!", grita uma mulher de uma varanda na comunidade de Petare para Henri Falcón, o solitário opositor que tenta substituir o presidente venezuelano Nicolás Maduro, a quem chama de "candidato da fome".

Escoltado por simpatizantes, o militar na reserva de 56 anos lidera uma caravana na empobrecida favela do oeste de Caracas, uma das maiores da América Latina, que por anos foi reduto do chavismo.

De moradias humildes alguns o saúdam eufóricos; outros olham para ele céticos enquanto ele caminha pelas ruas cheias da comunidade na tarde de segunda-feira.

Uma velha caminhonete amarela vai na frente com alto-falantes nos quais se escutam canções de Héctor Lavoe a todo volume. Muitos se deixam levar pelo ritmo da salsa, muito popular em Caracas.

Depois de cumprimentar o ex-governador com dois beijinhos, Marina Esperanza exclama emocionada à AFP: "Eu gosto muito!", e corre para não perdê-lo de vista.

"Hoje não lavo a bochecha", brinca a mulher, que recolhe o lixo de casa em casa e recebe comida como pagamento em meio à escassez de moeda, uma das muitas consequências da crise econômica no país.

- "País no nada" -

Dissidente do chavismo, Falcón decidiu ir na contramão da coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) ao se candidatar para as eleições antecipadas de 20 de maio.

A MUD decidiu boicotar as eleições alegando que não existem "garantias eleitorais", mas o ex-governador diz que a decisão foi motivada pela "mesquinharia" daqueles que colocaram suas ambições pessoais à frente da busca por um candidato de consenso.

Sem o apoio da aliança - que o acusa de fazer o "jogo" de Maduro em sua "aspiração totalitária" -, Falcón busca se consolidar com o apoio de pequenas organizações.

Em seus discursos, costuma referir-se ao presidente socialista como "o candidato da fome", destacando a hiperinflação -que este ano pode chegar a 13.000%, segundo o FMI- e a escassez de alimentos e medicamentos.

"Este governo levou o país ao nada", disse Falcón.

O opositor baseia seu otimismo nas pesquisas que refletem 75% de rejeição a Maduro e o desejo da maioria por votar.

Maduro minimiza. "Continue ganhando as pesquisas, senhor Henri Falcón, que eu ganho nas eleições, voto a voto", desafiou na segunda-feira.

- O dilema de votar -

Durante a visita, Falcón bateu na porta de Heidy Martínez, que viveu seus 38 anos em Petare. "Esperemos que de verdade faça algo, todos chegam ao poder e se esquecem das necessidades", afirmou.

Ana Orta, de 74 anos, mostrou-se curiosa. "Não sabíamos que ele vinha. Que Deus o abençoe. Em toda a minha vida nunca vivi uma situação tão ruim, sem comida, com tanta insegurança", expressou.

O governo implementou em 2016 um programa de venda de alimentos subsidiados em setores populares como Petare que - assegura - beneficia seis milhões de famílias, mas sobram queixas de que a comida não chega periodicamente.

Para Mario Valdez, militante de um pequeno partido de centro-esquerda que apoia Falcón, a abstenção é o principal inimigo. "Saiam para votar. Abster-se não é a solução!", diz aos vizinhos.

Junto com Maduro e o ex-governador, concorrem à presidência o pastor evangélico Javier Bertucci e outros dois dissidentes do governo.

Esperançosa em uma "mudança", Tania Mejía, ex-funcionária pública, votará. "Ninguém aguenta mais o que estamos vivendo".

Sua vizinha, Fanny Morena, de 56 anos, é pessimista. "Estou cansada de que nos tratem como gado, sem trabalho, sem transporte, sem comida. Não acredito em ninguém", desabafou.

Fonte: AFP

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