Mais pessoas estão migrando devido à escassez de alimentos

“...e haverá fomes,” Mateus 24:7

06 de maio de 2017.

 

O Programa Mundial de Alimentos, PMA, divulgou resultados de um estudo sobre a relação entre escassez de alimentos e migração. Segundo a agência, quando o índice de insegurança alimentar aumenta apenas 1%, mais 1,9% de pessoas migram para outros países.

O PMA explica que essa ligação é "complexa", porque o próprio ato de migração pode gerar mais insegurança alimentar devido a falta de oportunidades e perigos durante a jornada para outras nações.

Sem opção

Sobre o assunto, a ONU News entrevistou a vice-diretora da agência da ONU para Agricultura e Alimentação, FAO. Em Nova Iorque, Maria Helena Semedo explicou que é preciso garantir condições para que esses civis não precisem abandonar suas casas.

"Uma das origens das migrações é as pessoas não terem o que comer. As pessoas viverem na pobreza e migrarem à procura de uma vida melhor. Nós na FAO temos uma mensagem a dizer que as pessoas têm que ter opções. Se quiserem ficar onde estão, temos que ajudar a criar opções em que elas possam ter uma vida digna, em que possam ter acesso a uma alimentação sadia e que possam ter emprego de forma a poderem ter rendimentos."

O estudo do PMA revela exatamente isso: a maioria dos deslocados não quer buscar abrigo muito longe de casa. O levantamento traz também casos "dramáticos" de pessoas forçadas a tomar medidas extremas quando perderam tudo.

Longa jornada

Uma família do Sudão do Sul, por exemplo, seguiu numa jornada de duas semanas a pé até Darfur, no Sudão, em busca de alimentos.

Quase 2 milhões de sul-suldaneses já abandonaram o país devido ao conflito e à seca, que causou a situação de fome.

A forte seca também aumentou os níveis de fome na Somália, fazendo com que milhares de civis fossem para os países vizinhos Quênia e Etiópia.

Segundo o PMA, a insegurança alimentar é uma das causas de conflitos armados, com 0,4% a mais de pessoas fugindo de um país para cada ano em que a nação fica em conflito.

Fonte: Rádio ONU

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